A Lifan quer reescrever sua curta história no Brasil. A marca chinesa desembarcou no Brasil em 2009, trazida pela Effa. O representante ainda construiu no Uruguai uma linha em CKD – sistema em que carro é apenas montado com peças importadas. Mas o negócio não foi tão bem como a matriz queria. A Lifan tratou, então, de comprar toda a operação e começar tudo de novo. Parou de importar o hatch 320 e o sedã 620 e reiniciou a operação com o SUV compacto X60. Como tem um certo charme, até conseguiu chamar atenção para a marca. Mas o passo seguinte, no entanto, será mais pragmático. A marca vai atacar um segmento em que a racionalidade – leia-se custo/benefício – fala alto. A partir de terceiro trimestre, a Lifan passa a trazer da unidade uruguaia a picape compacta Foison. Primeiro na versão cabine simples e, dependendo do desempenho comercial, pode vir o restante da gama, que inclui uma picape cabine dupla e uma versão furgão para passageiros – este na expectativa de seduzir algumas “viúvas” da Volkswagen Kombi.

Lifan Foison Picape Cabine Simples

A Foison não tem qualquer compromisso com o glamour e até exagera no estoicismo. Para ganhar área útil, o motor – 1.3 16V de 93 cv e 11,4 kgfm de torque – fica instalado entre os eixos, sob o banco do motorista. Essa arquitetura é clássica para mini-utilitários orientais e era muito usada por modelos coreanos trazidos em meados dos anos 1990, como Asia Towner ou Kia Besta. O utilitário chinês de 4,58 metros de comprimento tem uma caçamba de 2,80 por 1,52 metro – pouco mais de 4 m². Além disso, é capaz de transportar até 800 quilos – um pouco mais do que as picapes compactas derivadas de automóveis, como Fiat Strada ou Chevrolet Montana. Os rivais diretos, porém, são outros veículos de origem chinesa, como as picapes Q22B da Rely, MiniStar da Changan e SY1020 da Shineray. Todas elas, porém, são equipadas com motor 1.0 e perdem em potência no confronto com a Foison.

A Lifan ainda não definiu exatamente como serão equipadas as picapes vendidas no Brasil. Na China, a cabine da Foison só é um pouco mais equipada na versão mais luxuosa, a FX. Ela traz ar-condicionado, computador de bordo, conta-giros no painel, sistema de som e direção hidráulica. Travas e vidros elétricos aparecem como opcionais. A básica, DX, já é bem menos equipada e não tem sequer direção assistida. Compondo equipamentos e preço, o projeto da marca é chegar a um volume mínimo de 300 unidades mensais. Suficientes para rentabilizar a linha no Uruguai.

Galeria de fotos

  • Lifan Foison Picape Cabine Simples - Foto 1
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  • Lifan Foison Picape Cabine Simples - Foto 2
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  • Lifan Foison Picape Cabine Simples - Foto 3
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    Lifan Foison Picape Cabine Simples - Foto 6

Primeiras impressões

Chongqing, China – A apresentação dinâmica do Foison ocorreu na “ruas” da fábrica de utilitários da Lifan em Chongqing, município com mais de 30 milhões de habitantes no centro da China. Apesar de ser uma avaliação ligeira em condições pouco favoráveis, algumas características do Foison ficaram bem explícitas. Uma é que o motor 1.3 empurra o utilitário com muita facilidade. Outra é que o ar-condicionado funciona com bastante eficiência. Ele conseguiu manter uma temperatura agradável na cabine, apesar de o verão chinês ser capaz de humilhar o calor de janeiro de várias cidades brasileiras.

Lifan Foison Picape Cabine Dupla

O que também chama a atenção é o acabamento, mas não de forma favorável. Os painéis apresentam rebarbas e falta cuidado na finalização e na montagem das peças. Os plásticos também são toscos, mas pelo menos dão a impressão de robustez. Este mesmo padrão se repete nas versões cabine dupla e furgão de passageiros. No caso de utilitários como o Foison, a resistência tem bastante peso. E outros valores que também ganham importância nesse gênero de veículo estão bem defendidos no modelo chinês. Como a enorme área útil e a praticidade de portas corrediças ou de laterais de caçamba articuladas. Os chineses, definitivamente, não são chegados a firulas.

Lifan Foison Furgão

Ficha técnica - Lifan Foison

Motor: Gasolina, central, longitudinal, 1.299 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual de cinco velocidades à frente e uma a ré. Tração traseira.

Potência máxima: 93 cv a 6 mil rpm.

Aceleração 0-100 km/h: Não divulgado.

Velocidade máxima: 120 km/h.

Torque máximo: 11,4 kgfm entre 3 mil rpm e 5 mil giros.

Diâmetro e curso: Não divulgado. Taxa de compressão: 9,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira com feixe de molas.

Pneus: 175/70 R14.

Freios: A discos na frente e a tambor atrás.

Carroceria: Picape em longarinas, com duas portas e dois lugares. Com 4,58 metros de comprimento, 1,62 m de largura, 1,89 m de altura e 2,80 m de entre-eixos.

Peso: 1.000 kg com 800 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 1.425 litros.

Tanque de combustível: 40 litros.

Produção: San José de Mayo, Uruguai.

Itens de série: Retrovisores externos pintados de preto, para-choque na cor da carroceria, assentos rebatíveis, para-sol, cintos de três pontos, luz traseira de neblina, rádio/Aux e rodas de ferro.

Preço estimado: R$ 32 mil.


Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias