Depois de longos meses de negociações, finalmente os trabalhadores da linha de montagem da fábrica da GM que está localizada na cidade de São José dos Campos entraram em um acordo com a diretoria da empresa, intermediado pelo sindicato. Apesar de não ter sido o acordo considerado ideal pela maioria dos trabalhadores, já que acabou não evitando a demissão de algumas pessoas, pelo menos foi unânime a decisão de que a saída encontrada ficou boa para ambos os lados.

Acordo fechado com a GM

O acordo entre o sindicato e a montadora foi feito durante a última reunião que aconteceu no sábado, dia 26, que também teve participação de alguns políticos da cidade que estavam na missão de conseguir encontrar um meio termo razoável para empresa e trabalhadores. Se antes do acordo cerca de 1,5 mil pessoas estavam ameaçadas de perder os seus empregos, depois das negociações a empresa concordou em manter parte destas pessoas contratadas nas mesmas funções que ocupam agora. De acordo com os dados da negociação que foram tornados público pelo sindicato, 650 pessoas vão realmente perder o emprego.

Mais prazo

A grande vitória que o sindicato dos metalúrgicos e os trabalhadores conseguiram nas negociações dos últimos seis meses é de que eles realmente conseguiram ampliar o contrato do prazo das pessoas que seriam mandadas embora, já que o prazo final seria o mesmo dia em que aconteceu a última reunião, dia 26. A montadora fez uma proposta na qual aumentaria por mais de dois meses o prado do estado conhecido como layoff, ou também licença remunerada, onde os trabalhadores estão afastados do trabalho mas ainda ganham o seu salário base, com todos os benefícios, menos extras e adicionais.

O prazo da licença agora vai até o dia 26 de março. Depois que se encerrar este período, de acordo com o sindicato, a empresa realmente vai encerrar o contrato com 650 funcionários, sendo que os outros 150 que estão de licença possuem estabilidade. Uma outra conquista nas negociações foi que a montadora pague uma multa de três salários para cada  funcionário que for demitido, além de todos os direitos trabalhistas previstos na lei brasileira. Esta seria uma forma de compensar e subsidiar um período maior em que os trabalhadores terão que ficar afastados buscando recolocação no mercado. Além disso, eles também terão direito ao seguro desemprego.

Classic Sedan

Durante as negociações o sindicato, juntamente com vereadores e até mesmo o prefeito da cidade de São José dos Campos, chegarama questionar sobre o porque que a GM não mantinha a produção do Classic Sedan na planta, já que este seria o motivo pelo qual uma das linhas de produção seria fechada e os funcionários seriam demitidos. A montadora acabou cedendo também nesta parte e decidiu que irá retomar a produção do carro no interior paulista, o que acaba garantindo trabalho para parte dos funcionários que seriam demitidos.

Mas como a decisão de parar a montagem do carro em São José dos Campos já havia sido retomada, a linha de produção não será reaberta nos próximos dias porque faltam peças para que o veículo continue sendo feito por lá. Para resolver este problema, a montadora decidiu que que os trabalhadores sairão em férias coletivas até o dia 14 de fevereiro, quando as peças já estarão de volta a planta e ela começará a funcionar normalmente.

Para ser aprovado o acordo precisou passar por uma votação entre todos os funcionários, que foi feita na manhã e na tarde desta terça-feira, dia 29. Tanto os funcionários do turno da manhã quanto os funcionários do turno da tarde acabaram concordando em levar o acordo adiante. A votação nos dois turnos aconteceu na porta de entrada da planta da GM na cidade.

Descontentamento

Apesar de ter sido aprovado pela maioria dos trabalhadores que estavam na empresa durante o dia de hoje, muitos deles acabaram não gostando do resultado final das negociações, o que já era esperado, já que mesmo assim serão 650 pais de família que irão perder o seu emprego. Alguns deles foram duros nos questionamentos aos membros do sindicato, dizendo que o acordo feito estava prejudicando os funcionários que estavam de licença, já que todos os demitidos serão deste grupo, enquanto que os trabalhadores que ainda estavam trabalhando na linha de produção desativada conseguiram manter os seus empregos.

Outros funcionários também chegaram a alegar que este tipo de acordo não servia para um grupo de funcionários, já que acaba criando um racha dentro da empresa, com pessoas que acabam disputando vagas internamente contra colegas, já que as pessoas que estavam trabalhando, e que teriam sido beneficiadas, acabam votando pela confirmação do acordo, de olho no seus empregos.

O presidente do sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, Antonio Ferreira de Barros, defende: "Existe um limite e daqui ia para o estouro. Se não chegasse a esse acordo e a gente insistisse com manifestações a manchete dos jornais seria 'Sindicato rejeita proposta da GM e 1.500 são demitidos'. A dificuldade nisso tudo foi a posição da empresa em querer fazer as demissões. Se a gente não fecha esse acordo, ia ter demissão, ia fechar o MVA (linha de produção responsável pela fabricação do Classic) e não ia ter conquista nenhuma para os trabalhadores".