A Iveco e o Governo Federal estão bem entrosados. No ano passado, a empresa italiana começou a fabricar ônibus por aqui e logo fechou acordo com o Governo para ceder alguns coletivos para projetos sociais, como o programa Caminhos da Escola. Ainda em 2012, firmou parceria com a Infraero, entidade que controla todos os grandes aeroportos brasileiros, para a cessão de 80 caminhões para o combate a incêndio. Agora, chega o produto mais marcante desta “aliança”. Depois de acordo fixado em 2008 com o Exército Brasileiro, a Iveco inaugura oficialmente a sua fábrica de veículos de defesa, montada junto às suas instalações em Sete Lagoas, em Minas Gerais.

É apenas a quinta unidade da Iveco Veículos de Defesa em todo o mundo e a primeira fora da Europa – são três na Itália e uma na Espanha. De acordo com a empresa, o investimento para levantar a nova indústria foi de R$ 55 milhões e, dependendo da demanda, pode significar até 15% no faturamento anual da marca. A Iveco, por sinal, é uma das fabricantes do mundo mais acostumadas a fazer veículos militares. A história começou em 1937 quando a Lancia Veicoli Speciali – uma das marcas que deu origem à Iveco – iniciou a produção de caminhões para o exército da Itália de Benito Mussolini. Com a derrota na Segunda Guerra Mundial, a empresa teve dificuldades de se reestruturar, mas manteve a divisão especial até ser comprada pela Fiat em 1969. Com a criação da Iveco, em 1975, a operação de veículos de defesa ganhou importância até virar uma divisão especial, em 1985. Atualmente, forças armadas de cerca de 50 países usam veículos da Iveco em suas frotas.

Inauguração da fábrica de veículos de defesa da Iveco

No Brasil, o contrato com o Exército é para a produção de 86 unidades para experimentação do blindado anfíbio Guarani. Mas a própria Iveco admite estar animada com o projeto. A fábrica de Sete Lagoas tem capacidade para fazer 100 unidades por ano, mas, dependendo da demanda, pode ser ampliada para até 200 blindados/ano. Procura essa que deve aumentar bastante depois do Exército brasileiro homologar o Guarani como seu veículo oficial, algo que deve acontecer no terceiro trimestre deste ano – o modelo ainda está em testes. A partir daí, a Iveco estará liberada até para vender unidades do Guarani a países aliados do Brasil. Argentina, Chile, Colômbia e Angola são alguns dos interessados.

A produção do Guarani, por sinal, é bem mais complexa do que de um veículo pesado comum. A principal razão está no aço balístico usado na carroceria. Por ser bem mais resistente e deformável que o aço comum, o processo de solda é muito mais complicado. Para se ter ideia, um caminhão normal demora 100 horas para ser fabricado. O Guarani necessita de 2.500 horas, sendo que 1.500 horas são apenas para a soldagem da carroceria. O procedimento é tão difícil que a Iveco levou os soldadores brasileiros para um curso de 6 meses na Itália.

  • Iveco Guarani - Foto 1
    Iveco Guarani - Foto 1
  • Iveco Guarani - Foto 2
    Iveco Guarani - Foto 2
  • Iveco Guarani - Foto 3
    Iveco Guarani - Foto 3
  • Iveco Guarani - Foto 4
    Iveco Guarani - Foto 4
  • Iveco Guarani - Foto 5
    Iveco Guarani - Foto 5

Depois do esfriamento das soldas – processo que dura até três horas –, a carroceria do Guarani é levada para uma pintura inicial e aplicação do liner, material que ajuda na absorção de impactos externos. A partir daí, o veículo vai para a linha de montagem onde recebe o chassi, suspensões e o motor Cursor 9, um 8.7 litros diesel de 383 cv de potência e 153 kgfm de torque. Depois da última pintura, o finalizado blindado vai a um rigoroso teste de rodagem, que inclui subidas de rampas a 60%, inclinações laterais de 30% e percursos alagados.

Inicialmente, a produção de Sete Lagoas será apenas do blindado Guarani. Mas a própria fabricante admite que está em estudo com as Forças Armadas para a montagem dos chamados veículos multifuncionais e de caminhões especiais. Um dos mais indicados para o uso no Brasil é o multifuncional LMV, uma espécie de Jeep de guerra, bem no estilo do norte-americano Hummer. De acordo com os executivos da Iveco, ele se enquadra muito bem em aplicações como pacificação de favelas e segurança urbana, por exemplo.


Autor: Rodrigo Machado (Auto Press)
Fotos: Divulgação