A novela das demissões na GM teve mais um capítulo no dia de hoje, quando os trabalhadores decidiram parar apenas com as manifestações pacíficas e partiram para atitudes mais contundentes. Representantes do sindicato dos trabalhadores metalúrgicos da cidade de São José dos Campos, onde está localizada a fábrica da GM que poderá demitir 1500 funcionários nos próximos dias, paralisaram a Dutra, uma das principais rodovias do interior do estado de São Paulo na manhã de hoje, gerando cerca de três horas de congestionamentos entre São José dos Campos e Caçapava.

Segue novela da crise na GM

O congestionamento acabou pegando boa parte dos motoristas de surpresa, e acabou transformando a ida das pessoas para o trabalho ou outras atividades muito complicada na manhã desta terça-feira, mais do que os paulistas já estão acostumados a enfrentar todos os dias, mas não nos dias dos meses de janeiro, que costumam ser mais calmos devido as férias escolares.  De acordo com as informações que forma divulgadas, a paralisação no trecho acabou sendo feita de manhã cedo pelos trabalhadores da fábrica, mas como era de se esperar os efeitos foram sentidos até quase o meio dia, quando a situação voltou a ter o seu fluxo normalizado por completo.

Apesar das negociações com a GM para tentar impedir a demissão de todos estes funcionários devido ao fechamento de uma das linhas de produção da fábrica ter começado no ano passado é ter se intensificado no início deste ano, até o momento não havia sido feito ainda uma manifestação mais contendente por parte dos funcionários e dos representantes do sindicato. As manifestações que foram feitas até o momento haviam sido feitas foram destinadas realmente a empresa e também aos políticos da região em busca de uma alternativa para o impasse.

De acordo com as informações que foram divulgadas nesta manhã pelo Sindicato dos Metalúrgicos da cidade de São José dos Campos, o protesto dos funcionários da fábrica teria durado cerca de uma hora e meia e contou com a participação de, pelo menos, 600 funcionários. A forma como eles paralisaram a rodovia causou susto em diversos motoristas, isso porque eles colocaram fogos em diversos pneus para impedir o tráfego de veículos naquele trecho da rodovia. Depois que os pneus já estavam pegando fogo e tomavam conta de boa parte da avenida, os funcionários e representantes do sindicato foram para frente das chamas exigir que o governo tomasse alguma providência e intercedesse nas negociações.

Ajuda federal

Além de contar com a ajuda dos políticos locais, os representantes do sindicato também está sendo bem enfáticos quando dizem que precisam urgentemente de uma intervenção federal para que estas 1500 famílias da cidade não fiquem desempregadas. E foi exatamente para chamar atenção do Palácio do Planalto que os trabalhadores optaram por parar uma das rodovias mais importantes do estado, afim de realmente pedir pela ajuda da presidente Dilma e dos seus ministros, já que, novamente segundo o sindicato, até agora o governo não entrou como deveria neste problema.

Depois que a manifestação já havia sido realizada e os funcionários começaram a remover os objetos que estavam na pista, liberando o tráfego de veículos, eles se reuniram para uma assembleia onde foram decididas as próximas ações. Estavam previstas uma assembleia com os funcionários do turno da manhã e também outra assembleia com os funcionários do turno da tarde. Apesar desta assembleia para decidir as novas ações, o sindicato garantiu que não seriam feitas outras ações como esta amanhã, dia 23.

O presidente do sindicato dos Metalúrgicos da cidade de São José dos Campos disse ainda que amanhã ainda está mantida uma nova rodada de negociações envolvendo a empresa e o sindicato para discutir os rumos desta história. Juntamente com os representantes dos funcionários e da diretoria da GM, devem sentar juntos representantes da prefeitura da cidade e também da câmara municipal. Também devem estar presentes nesta nova rodada de negociações representantes de dois Ministérios que já estavam presentes na reunião que aconteceu na semana passada, mas que havia chegado ao fim se ter um resultado definitivo para nenhum dos lados.

Lembrando que os manifestantes já conseguiram ser recebidos pelo próprio prefeito da cidade de São José dos Campos no início do mês. Na ocasião, os representantes da prefeitura concordaram com os manifestantes sobre a necessidade de intercederem junto a empresa para tentar chegar a um acordo com estes 1500 funcionários não sejam demitidos. Nesta reunião os representantes do sindicato acabaram entregando para o prefeito um documento com análise do impacto negativo que a cidade sofreria caso estes 1500 funcionários realmente percam o emprego.

Paralisação

No final da tarde, depois que terminou a assembleia que seria feita com os funcionários do turno da tarde, foi confirmada uma paralisação total das atividades da fábrica durante 24 horas antes. De acordo com o sindicato, a ação serve para pressionar ainda mais a empresa durante a reunião que vai acontecer amanhã e que deverá definir a situação dos funcionários que estão esperando.
Motivo da demissão

No final do ano passado a GM decidiu que fecharia uma das suas linhas de produção que estavam funcionando na planta de São José dos Campos. Estavam trabalhando 1500 funcionários na linha de montagem que não poderiam ser encaixados em outras posições na fábrica. Atualmente a empresa mantém 780 funcionários afastados em layoff - suspensão temporária dos contratos de trabalho. Outros 818 são mantidos na linha, que terá as atividades encerradas no próximo dia 26 de janeiro. No dia 26, se não houver acordo, todos estes funcionários estarão com seus contratos encerrados.

A GM não se pronuncia sobre o caso.