• Honda Fit EX - Foto 1
    Honda Fit EX - Foto 1
  • Honda Fit EX - Foto 2
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  • Honda Fit EX - Foto 3
    Honda Fit EX - Foto 3
  • Honda Fit EX - Foto 4
    Honda Fit EX - Foto 4
  • Honda Fit EX - Foto 5
    Honda Fit EX - Foto 5

Um lançamento de automóvel é sempre um momento crítico. É o chamado “fato novo”, que pode mudar o tapamar de trabalho do modelo no mercado. Seja para embalar, seja para minguar, no entanto, esses movimentos de venda costumam ser lentos. Em alguns raros casos, há um impacto nos números. Mas esse parece ser o caso da terceira geração do Honda Fit. Lançado por aqui em abril, o hatch compacto emplacou mais de 4 mil unidades em maio e junho. Em termos de comparação, o antigo Fit registrou média de 3 mil carros/mês entre janeiro e abril. Apesar dos bons números, a Honda projeta que o Fit ganhe mais espaço e alcance as 5 mil unidades mensais. E tal êxito passa pela versão intermediária EX, que corresponde a 38% das vendas do Fit.

A EX é a configuração logo abaixo da topo EXL e tem poucas diferenças – inclusive no preço. Por R$ 62.900 traz transmissão CVT, faróis de neblina, rodas de liga leve de 15 polegadas, grade frontal com acabamento preto brilhante, câmera de ré com três ângulos de visualização, volante multifuncional, rádio/CD com Bluetooth e tela de LCD de 5 polegadas. Os R$ 3 mil cobrados a mais pela “top” incluem um painel de instrumentos com elementos digitais, computador de bordo mais completo, cor de fundo azul, painel das portas, banco e volante em couro, piloto automático, aribags laterais e rodas de 16 polegadas. Essa versão atrai 10% dos compradores do novo Fit.

Nova dianteira - Similar ao irmão maior Civic

Já a motorização independe da versão. A Honda “efetivou” o motor 1.5 litro para todas as configurações – antes só era oferecido no Fit “top” e na pseudo-lameira Twist, que ainda não foi lançada nessa nova geração. Para não “passar em branco”, a fabricante nipônica fez pequenas modificações, como trocar o coletor em alumínio por um em plástico de alta resistência. O comando de válvulas foi redesenhado e teve índice de atrito e peso reduzidos, o que aumentou o torque em baixas rotações. A potência continua nos 115/116 cv a 6 mil giros com gasolina e etanol, respectivamente. Já o torque aumentou 3%. Passou de 14,8/14,9 kgfm para 15,2/15,3 kgfm, sempre a 4.800 giros. Na EX, a única transmissão associada ao propulsor é do tipo CVT, que ganhou conversor de torque para melhorar as arrancadas.

Nesta terceira geração, o Honda Fit manteve bom aproveitamento de espaço como diferencial. O hatch adota uma arquitetura totalmente nova – que será usada também no utilitário Vezel e no novo City. A inédita estrutura permitiu ganho de dimensões. O entre-eixos ficou 3 centímetros maior – agora de 2,53 metros. O comprimento cresceu quase 10 cm – segundo a Honda, em função dos para-choques mais avantajados. Altura e largura permaneceram intactas. No interior, a marca japonesa adotou a filosofia “máximo para o homem, mínimo para a máquina”. Os ocupantes ganharam 3,5 cm a mais entre os ombros na dianteira e 2 cm a mais na traseira, graças aos aços mais finos da carroceria. A posição de dirigir está um centímetro mais baixa devido à redução do tanque de combustível – que fica no assoalho sob os assentos dianteiros. Além disso, com os braços da suspensão traseira mais curtos, os bancos traseiros foram 8 centímetros para trás, abrindo mais espaço para as pernas.

Produzido na fábrica do Sumaré, em São Paulo, o novo Fit é um produto-chave para a Honda – no Brasil e no mundo. O hatch – chamado de Jazz no mercado europeu – já é o quarto carro mais vendido da marca japonesa globalmente. A importância é tanta que o modelo será produzido também na futura instalação que a Honda ergue em Itirapina, no interior paulista. A unidade, inclusive, será responsável por construir o Vezel – que pode adotar o nome HR-V por aqui – e a nova geração do City. O objetivo é tornar o Fit o principal produto da Honda no Brasil. Posto que atualmente é ocupado pelo sedã Civic.

Interior do novo Honda Fit

Ponto a ponto

Desempenho – A proposta do Fit não é ter uma performance excepcional. O motor 1.5 litro é bastante capaz, mas combinado à transmissão CVT, o hatch tem uma tocada muito serena. O conversor de torque aplicado ao câmbio até permite um arrancada um pouco mais vigorosa. Mas o ganho de velocidade é gradual. Para extrair o máximo do motor 1.5 é preciso explorar altos giros – só aos 4.800 rpm aparece o torque máximo de 15,3 kgfm. É nesta faixa que o carro fica mais esperto e passa a responder com mais vontade. Nota 7.

Estabilidade – Apesar do desempenho não ser dos mais instigantes, o Fit é um hatch que gosta de curvas. O conjunto mostra enorme equilíbrio entre a rigidez necessária para enfrentar curvas e a maciez suficiente para aliviar os passageiros das irregularidades da pista. O Fit não prega surpresas a quem está no comando e segue a direção apontada com facilidade. Nota 8.

Interatividade – O Fit é um carro extremamente simples de usar no dia-a-dia. Os comandos mais importantes estão bem localizados. A direção tem peso correto, é precisa e ajuda tanto na condução quanto nas manobras. O painel de instrumentos tem visualização clara, porém, fica devendo um computador de bordo mais completo. Nota 8.

Consumo – O Programa de Etiquetagem do InMetro aferiu uma unidade do novo Honda Fit EX. Com etanol, o hatch registrou consumos de 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/ na estrada. Abastecido com gasolina, as médias foram 12,3 km/l em trajeto urbano e 14,1 km/l na estrada. Esses números garantiram “A” tanto no segmento quanto na classificação geral, com índice de eficiência energética de 1,66 MJ/km. Nota 9.

Honda Fit EX

Conforto – Em sua nova geração o Fit ganhou em dimensões. O espaço interno que já era bom ficou melhor aproveitado. O aspecto de ser “altinho” contribui ainda mais para a sensação de espaço e conforto. Os bancos têm a densidade correta e os corpos dos passageiros são bem recebidos. O isolamento acústico agrada e, em baixas rotações, o modelo parece estar desligado pela ausência de ruído no habitáculo. Nota 9.

Tecnologia – A plataforma da terceira geração do Fit é completamente nova. Serve de base também para o sedã City e o utilitário Vezel. Isso garante qualidade na construção e bom espaço para a cabine. O interior também foi repensado e o monvolume ganhou dispositivos da “moda”, como tela multimídia, Bluetooth e câmera de ré. A nova transmissão assegura bons números de consumo – 17% mais eficiente em relação ao câmbio automático anterior. GPS integrado, controles de tração e estabilidade, nem na versão topo. O motor é “manjado”, mas foi ligeiramente atualizado. Já o freio traseiro regrediu: saíram discos e entraram tambores. Economia injustificável em um carro tão caro. Nota 7.

Habitabilidade – O Fit sempre foi e continua a ser um carro extremente racional em seu interior. A portas abrem em um ângulo ótimo e os porta-objetos são muitos e bem posicionados. A praticidade do rebatimento dos bancos permite várias configurações e cria uma área imensa para bagagens – aliado ao teto alto. Os ocupantes dianteiros têm espaço de sobra e atrás dois adultos e uma criança “se viram” muito bem. Nota 9.

Detalhe da lanterna traseira

Acabamento – Por fora o Fit “exala” novidade, mas o interior segue no pragmatismo japonês. O habitáculo foi renovado, mas a enorme quantidade de plásticos duros não confere maior requinte ao modelo. Mas vale ressaltar que os encaixes são extremamente precisos. O painel de instrumentos é muito simples para o que os quase R$ 63 mil sugerem. Nota 6.

Design – Sem dúvida, um dos pontos fortes do novo Fit. O carro ganhou em agressividade com novos para-choques com largas tomadas de ar. O grande vinco lateral dá a sensação do carro estar em movimento mesmo quando parado. E a traseira traz lanternas renovadas com “extensores”. Tudo bem harmônico e deixando um pouco do conservadorismo japonês de lado. Nota 9.

Custo/benefício – O Fit é – sem dúvida – um hatch muito capaz. Tem motor condizente com a sua proposta, estabilidade elevada, interior “inteligente” e alto nível de conforto. Incorporado a isso está o prestígio da marca. Por isso, a Honda pede quase R$ 63 mil pela versão EX. Pelo C3 Picasso Exclusive com motor 1.6 litro de 122 cv e equipado a altura, a Citroën cobra perto de R$ 60 mil. O valor pelo Fit EX não chega a ser exorbitante, mas passa perto de sedãs médios como Nissan Sentra e Renault Fluence. Nota 6.

Total – O Honda Fit EX somou 78 pontos em 100 possíveis.

Traseira do Honda Fit

Impressões ao dirigir

Escolhas íntimas

Umas das explicações para o crescimento de vendas do Fit passa, inevitavelmente, pelo novo visual. O hatch perdeu aquele ar feminino e ganhou linhas mais fortes e marcadas. A Honda adicionou um pouco de “testosterona” no até então “carro da família” e ampliou o espectro de consumidores do modelo, visto geralmente como feminino. A estética, além de mais moderna, agora também chega perto da esportividade.

Porém, ter um design com linhas mais exuberantes não necessariamente torna o Fit um verdadeiro esportivo. O comportamento do hatch é bem pacato. O motor 1.5 litro de máximos 116 cv dá conta do recado sem maiores esforços. A transmissão CVT encaixa bem com a proposta do modelo e favorece a redução no consumo de combustível. A dirigibilidade é apurada. Como quase não há peso além dos eixos e a suspensão permite uma pitada de agressividade na direção, a estabilidade é constante.

Mas a melhor maneira de guiar é calmamente, sem muita pressa. Aí, se exarcebam as recompensas. A transmissão é suave, se encaixa bem com o propulsor e só amplia o conforto que o Fit oferece. Outro destaque é o sistema de rebatimento dos bancos. Com o rearranjo do espaço interno, cria-se uma área completamente reta na traseira e eleva bastante a capacidade e a facilidade do Fit em levar carga – desde uma prancha de surfe até um objeto em pé com até 1,30 metro na vertical.

O interior é dos mais bem projetados do mercado. Há porta-trecos em qualquer buraco e os comandos são todos colocados em lugares intuitivos. O que desagrada é a escolha dos materiais do habitáculo. A profusão de plásticos não faz jus à etiqueta de preço. O painel de instrumentos traz uma luz laranja na versão EX – o que dá um aspecto antigo e simples. O marcador de combustível analógico gigantesco ocupa um dos três círculos que compõe o cluster. Para mudar a função do computador de bordo existe um prosaico “pininho” que deve ser apertado. Já o ar-condicionado tem botões giratórios rústicos e desproporcionais. O toque de “luxo” no habitáculo é garantido pela tela de 5 polegadas do sistema multimídia – envolta em um polímero preto brilhante. Apesar de não ser sensível ao toque, ela reúne algumas tecnologias do carro como Bluetooth e câmera de ré, que ajuda os motoristas hora de estacionar – apesar de não contar com detector de obstáculos.

Visão lateral

Ficha técnica

Honda Fit EX

MotorGasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial
TransmissãoCâmbio CVT. Tração dianteira
Potência máxima115 e 116 cv a 6 mil rpm com gasolina e etanol
Torque máximo15,2 e 15,3 kgfm a 4.800 rpm com gasolina e etanol
Diâmetro e curso73,0 mm X 89,4 mm
Taxa de compressão11,4:1
SuspensãoDianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção
FreiosDiscos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD
Pneus185/60 R15
CarroceriaHatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,99 metros de comprimento, 1,69 metro de largura, 1,53 metro de altura e 2,53 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais
Peso1.099 kg
Capacidade do porta-malas363 litros
Tanque de combustível45,7 litros
ProduçãoSumaré, São Paulo
Itens de sériecintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, Isofix, airbags frontais, vidros elétricos, maçanetas externas na cor do veículo, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, bancos traseiros reclináveis e bipartidos 60/40, retrovisores elétricos, quatro alto-falantes, faróis de neblina, câmera de ré com três ângulos de visualização, volante multifuncional, sistema de áudio com FM/AM/MP3/CD com tela de LCD de 5 polegadas e Bluetooth, chave tipo canivete e entrada USB
PreçoR$ 62.900

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias