• Lifan X60 - Foto 1
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  • Lifan X60 - Foto 4
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    Lifan X60 - Foto 5

Depois de um período meio opaco no Brasil, quando esteve representada pelo Grupo Effa, a chinesa Lifan resolveu “primeirizar” suas operações por aqui. Para definir a “nova cara” da marca no Mercosul, apresentou em maio o X60, seu utilitário compacto. A estratégia para o lançamento do jipinho foi a mesma adotada por outras marcas chinesas: entregar espaço e equipamentos semelhantes aos concorrentes nacionais – no caso, Renault Duster e Ford EcoSport –, por um preço cerca de 10% menor. Uma forte campanha publicitária, que destacava exatamente a relação custo/benefício, ajudou a gerar alguma curiosidade no mercado. O modelo chegou de fato às revendas brasileiras em junho e, desde então, vende mais que o concorrente conterrâneo Chery Tiggo. Nos primeiros 30 dias de comercialização, o X60 teve exatas 200 unidades emplacadas – média que se manteve ao longo dos meses e que representa quase o dobro das vendas do Tiggo. Apesar disso, a performance está longe das ambições da Lifan, que planeja vender cerca de 400 unidades do X60 por mês. E ainda mais distante do líder do segmento, o EcoSport, que ronda os 5.600 emplacamentos mensais.

O modelo de linhas discretas vem da fábrica uruguaia de San José, onde é produzido em SKD – montagem final de veículos que chegam parcialmente desmontados da China. Ele tem 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura e bons 2,60 m de entre-eixos – razoavelmente maior que os outros jipinhos do mercado. A linha de cintura alta e plana, janelas grandes e laterais com arcos de roda pronunciados formam conjunto que inspira robustez. Os pneus altos, que envolvem rodas em liga leve de 16 polegadas, contribuem para tal impressão. Os faróis são horizontalizados e ladeiam a enorme grade frontal, que ostenta o logotipo da marca. Atrás, lanternas com leds e um ar um tanto austero, mas que compõe a silhueta discreta do utilitário. O estepe vem dentro do porta-malas, o que contribui para manter um aspecto mais urbano. 

Sob o capô, um motor de quatro cilindros a gasolina de 1.8 16V VVT – com comando variável de válvulas. Ele produz 128 cv a 6 mil rotações e 16,8 kgfm de força a elevadas 4.200 rpm, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas. Não há previsão de motorização flex, nem de transmissão automática. Segundo a Lifan, atual conjunto é suficiente para levar o jipinho do zero aos 100 km/h em bons 11,2 segundos e à velocidade máxima 190 km/h. Para segurar o SUV nas curvas, a suspensão é independente nas quatro rodas, com o tradicional arranjo McPherson na frente e braços triplos atrás. 

No interior, também de aparência conservadora, o X60 traz ar-condicionado, direção hidráulica e vidros, travas e retrovisores elétricos de série, além de conectividade Bluetooth. A grande atração a bordo é a central eletrônica, com tela sensível ao toque, que concentra as funções do sistema de som – também comandado por botões no volante – e do navegador GPS , além de exibir as imagens da câmera de ré. Equipamentos de segurança, como duplo airbag e freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, também estão disponíveis de série. 

Mas o que a Lifan aposta que irá atrair de verdade o consumidor brasileiro é o argumento de que o X60 oferece um conjunto mecânico e equipamentos semelhantes ao de modelos nacionais por R$ 52.777 – os três setes do valor são inspiradas no desenho do logotipo da Lifan. Ainda há unidades da linha 2013 nas concessionárias, mas a linha 2014 já trará as primeiras alterações no carro. Nada muito impactante: interior escuro, regulagem de altura do banco do motorista, novas rodas e opção pelo teto solar. Segundo a Lifan, o suficiente para juistificar o preço R$ 2 mil maior – passam a ser R$ 54.777. Pelo jeito, enquanto ainda buscam a sintonia com o mercado nacional, os chineses já descobriram que é possível lucrar bastante por aqui.

Lifan X60 versão 2014

Ponto a ponto

Desempenho – Os 128 cv do 1.8 litro são suficientes para empurrar o X60. O câmbio manual também aproveita bem a força disponível. A distribuição de torque, no entanto, torna a condução na cidade um pouco morosa, já que a maior parte dos 16,8 kgfm só aparece depois das 3 mil rotações – e por completo apenas a 4.200 giros. Superada esta marca, o jipinho vai bem e tem acelerações e retomadas convincentes. Nota 7.

Estabilidade – Mesmo sendo alto – com 1,69 m –, a suspensão independente nas quatro rodas consegue segurar o carro com competência. A carroceria inclina relativamente pouco nas curvas e tem movimentos previsíveis. A direção, no entanto, parece ter relação distante com as rodas e contribui para transmitir alguma insegurança em velocidades mais altas. Mas nada que assuste o motorista. Nota 7.

Interatividade – Para um modelo projetado na China, o interior do Lifan é até fácil de usar. O modelo traz de série uma central eletrônica com tela sensível ao toque e conexões USB e Bluetooth. A interface é simples e descomplicada, fácil de usar com o carro em movimento. Comandos de uso rápido, como vidros e travas, são bem localizados e os botões para comando do som no volante ajudam. A boa área envidraçada e a posição mais alta de dirigir proporcionam uma boa visão sobre o que acontece ao redor do carro. Os retrovisores são enormes e o ajudam a transitar com confiança pelos engarrafamentos. Nota 8.

Consumo – O InMetro não recebeu nenhuma unidade do X60 para testes, mas o modelo testado marcou média de 8,2 km/l de gasolina em ciclo misto. Nota 7.

Frente do Lifan X60

Conforto – Os bancos são até confortáveis, com boa posição de dirigir, e há espaço de sobra para cinco ocupantes. Mas é a ausência de isolamento acústico que dá a tônica do interior do Lifan. Ruídos de motor, transmissão e rolagem de pneus dominam o interior do carro e atrapalham a sensação de conforto interno. A suspensão é firme e faz os ocupantes sacudirem um pouco em pisos menos regulares. Nota 6.

Tecnologia – O motor 1.8 16V, mesmo com duplo comando variável, não impressiona. Rende somente razoáveis 128 cv e bebe apenas gasolina. A plataforma é própria e recente, lançada em 2010 na China, junto com o carro. Por dentro, apenas a central eletrônica de entretenimento – que abriga sistema de som, GPS e visor da câmera de ré – chama a atenção. A bem-vinda conectividade Bluetooth está presente, mas faltam itens importantes, como um simples computador de bordo que forneça informações relevantes como consumo médio e autonomia de combustível. A imprecisão do medidor de volume de combustível no tanque do modelo testado tornou a ausência dessas informações ainda mais sentida. Nota 7.

Habitabilidade – O utilitário é grande por dentro, o que ajuda bastante na acomodação de passageiros. Há fartura de porta-objetos, como um grande nicho sob o apóia-braços dianteiro. A cabine é bastante ampla, com muito espaço para cadeirinhas infantis e passageiros. No entanto, a tampa do porta-malas é extremamente pesada e dificulta sua abertura, principalmente se o carro não estiver num terreno plano. O bagageiro, aliás, leva relativamente poucos 403 litros, por conta do assoalho alto. Nota 7.

Acabamento – É o principal “calcanhar de aquiles” do X60. Mesmo com revestimento em couro nos bancos e forração das portas, a impressão de fragilidade das peças é notável, com materiais de aspecto frágil. Os encaixes até são razoáveis, mas não passam a impressão de que ficarão muito tempo no lugar. O isolamento acústico é deficiente e ajuda a reforçar a sensação de pouco requinte a bordo. Nota 5.

Detalhe da lanterna traseira

Design – Com linhas discretas, o X60 tem visual correto, mas traz referências demais a modelos coreanos de décadas passadas. Isso acusa uma certa falta de originalidade. Além disso, o desenho parece mais antigo do que realmente é, com um capô longo e praticamente plano, e arcos de roda bastante pronunciados. Não se trata de um carro feio, mas deixa claro que os chineses ainda possuem um caminho a percorrer em termos de design automotivo. Nota 6.

Custo/benefício – A Lifan posicionou o X60 para concorrer diretamente com seu conterrâneo Chery Tiggo. Por R$ 52.777, ele ficou cerca de 10% mais barato que as versões equivalentes dos líderes do segmento, Ford EcoSport e Renault Duster, e ainda entrega mais porte e mais espaço que ambos. No entanto, ainda precisa vencer a desconfiança em relação aos produtos chineses, mesmo com cinco anos de garantia. A linha 2014 ganhou pequenas modificações, mas passará a custar R$ 2 mil a mais. Algo que irá derrubar um pouco o “appeal” do jipinho na tabela de preços. Nota 8.

Total – O Lifan X60 somou 68 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

De cara, o porte “grandalhão” do X60 impõe respeito. As linhas robustas do utilitário causam boa impressão, ainda que ele não seja exatamente bonito. Os traços lembram bastante modelos sul-coreanos da década passada. Por dentro, mais referências, mas dessa vez aos japoneses, com o painel que quase presta uma “homenagem” à antiga geração do Toyota RAV4. Os materiais usados são de relativa qualidade e os encaixes das peças plásticas também são corretos, mas há algumas rebarbas aparentes e costuras que aparentam fragilidade.

A posição de dirigir é alta, com visão ampla para todos os lados e acesso fácil aos comandos, que também são bastante simples. Essa simplicidade, porém, vem do fato de não haver muita tecnologia embarcada no X60. Além da central eletrônica instalada – de uso bem descomplicado, aliás, e que tem GPS e câmera de ré –, não há sequer informações sobre consumo ou autonomia de combustível. No visor digital no centro do painel de instrumentos, apenas velocidade e dados do hodômetro são mostrados. A manopla de câmbio de formato pouco comum – semelhante a um ovo na horizontal – pouco ajuda nas trocas de marcha, enquanto a embreagem pesada complica a vida no dia-a-dia de tráfego intenso de uma grande cidade.

Interior do Lifan X60

Uma vez em movimento, o 1.8 16V de 128 cv tem força para dar um desempenho razoável ao X60. O torque de 16,8 kgfm, no entanto, obriga o motorista a sempre manter as rotações em alta, já que aparece totalmente apenas a 4.200 rpm. Ao menos, superados os 3 mil giros, já há boa dose de agilidade, graças ao câmbio manual bem escalonado. No entanto, o isolamento acústico também merece – muitas – melhorias. Mesmo com o carro parado, é possível ouvir o motor funcionando em alto e bom som – inclusive a atuação de periféricos, como o compressor do ar-condicionado, claramente audível. Manter velocidades de cruzeiro acima dos 110 km/h torna-se cansativo, já que o motor passa a “gritar” mais do que seria agradável.

Para compensar, o acerto de suspensão é bom e filtra bem as imperfeições do asfalto. A carroceria não inclina muito, com reações bastante previsíveis. Lógico que o X60 não foi feito para grandes emoções numa estrada sinuosa, mas trata dignamente os ocupantes. O espaço interno, generoso, também não vai fazer ninguém passar por apertos – independente do tamanho. Além do bom vão para pernas e cabeça, quem viaja atrás ainda pode reclinar o encosto para melhor acomodação.

Ficha técnica - Lifan X60

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.794 cm³, quatro cilindros, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas. Injeção eletrônica. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré.

Potência máxima: 128 cv a 6 mil rpm.

Torque máximo: 16,8 kgfm a 4.200 rpm.

Diâmetro e curso: 79,0 mm X 91,5 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.

Motorização do X60

Aceleração 0-100 km/h: 11,2 segundos.

Velocidade máxima: 190 km/h limitada eletronicamente.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira independente com braços triplos.

Pneus: 215/65 R16.

Freios: A disco na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Utilitário esportivo com quatro portas e cinco lugares. Com 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,69 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.

Peso: 1.330 kg.

Capacidade do porta-malas: 405 litros.

Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: San José, Uruguai.

Lançamento no Brasil: 2013.

Itens de série: Ar-condicionado, retrovisores, vidros e travas elétricos, direção hidráulica, sensor crepuscular, coluna de direção regulávem em altura, central multimídia com tela de sete polegadas sensível ao toque, com rádio/CD/DVD/MP3/Bluetooth, navegador GPS, câmera de ré, sensores de estacionamento, bancos revestidos em couro, luzes diurnas de led, airbags frontais, ABS e EBD.

Preço: R$ 52.777.

Autor: Igor Macário (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias