• Volkswagen Fox 1.6 - Foto 1
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  • Volkswagen Fox 1.6 - Foto 3
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  • Volkswagen Fox 1.6 - Foto 4
    Volkswagen Fox 1.6 - Foto 4
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    Volkswagen Fox 1.6 - Foto 5

O Volkswagen Fox é daqueles carros que precisam atender à uma gama extensa de compradores. Ao dispôr de mais espaço interno que o Gol, graças ao teto elevado, o hatch “altinho” se encaixa num outro nicho, mas que ainda exige desde versões “peladas”, com motor 1.0, até variantes mais bem fornidas. Justamente para preencher essa demanda por mais requinte, a marca joga com o Fox Highline, que permite adicionar mais conteúdo ao modelo – mesmo que boa parte dele permaneça na lista de opcionais. Com preço inicial de R$ 46.730, ele tenta acrescentar alguma sofisticação ao conhecido conjunto e concorrer com outros compactos “high roof” mais equipados, como o Chevrolet Agile – oferecido numa única versão “top”, a LTZ – e o Renault Sandero Privilège. O Fox fechou 2013 como o oitavo carro mais vendido do país, ao emplacar cerca de 9.500 unidades mensais. E à frente dos dois principais rivais.

Por fora, pouca coisa identifica que se trata do Fox mais caro. Apenas emblemas com a inscrição “Highline” nas portas e cromados nas barras laterais e ponteira do escapamento o diferenciam do restante da gama. Ademais, o modelinho mantém as formas conservadoras, já vistas desde 2011. O Fox foi o primeiro carro nacional da Volkswagen a ostentar as linhas mais retas, com arestas mais pronunciadas e a típica sobriedade alemã que depois se espalhou pelos demais modelos. Os dois volumes da carroceria são bem definidos e o conjunto é harmônico. A traseira curta ainda tem lanternas que simulam luzes de led, num arranjo até interessante.

O Fox Highline é animado pelo mesmo 1.6 litro que equipa a versão Trend e ainda o CrossFox – além de estar disponível em Gol, Polo, Saveiro, Voyage e na station SpaceFox. Ele rende 104 cv a 5.250 rpm e 15,6 kgfm de torque a 2.500 rotações, quando abastecido com etanol. O conjunto é acoplado a um câmbio manual ou automatizado, ambos de cinco marchas – a opção pelo I-Motion, que dispensa o pedal da embreagem, encarece o carro em R$ 2.880. Esse motor é suficiente para empurrar o Fox de zero a 100 km/h em 10,5 segundos e seguir até a máxima de 184 km/h. Marcas bastante condizentes com a proposta do modelo. 

O interior é mais um ponto onde o Highline pouco se destaca em relação ao restante da linha. Ele até é bem equipado de série, com itens básicos como ar-condicionado, trio elétrico e direção hidráulica – além de airbags frontais e freios ABS de série –, mas não passa muito disso. O hatch ainda tem três encostos de cabeça no banco traseiro, uma raridade no segmento, e sensores de estacionamento são de fábrica. No entanto, as exclusividades da versão ficam na lista de opcionais. Apenas a variante “top” pode ser dotada de equipamentos interessantes como teto solar elétrico, bancos em couro e sensores de luz e chuva. Mas um Fox com isso tudo custa bem caro – com todos os opcionais, a etiqueta de preço salta para R$ 54.553. O valor é bastante elevado e fica bem acima dos concorrentes, mesmo que eles sejam menos equipados que um Fox “com tudo em cima”. A Chevrolet pede R$ 45.090 pelo Agile LTZ, enquanto um Renault Sandero Privilège, com direito ao navegador GPS com tela sensível ao toque, sai por R$ 44.030. A diferença é considerável e cada concorrente se vale, principalmente, dos emblemas estampados na grade de cada um.

Volkswagen Fox Highline 1.6

Ponto a ponto

Desempenho – O 1.6 não se esforça muito para movimentar o Fox. Os 15,6 kgfm de torque aparecem logo a 2.500 rpm e dão agilidade ao carrinho, que mostra desenvoltura em trechos urbanos e notável compostura em ritmos de estrada. O câmbio manual ajuda bastante com engates precisos e marchas bem escalonadas. O propulsor ainda rende 104 cv quando abastecido com etanol. Nota 7.

Estabilidade – O Fox é um carro relativamente estável, graças à suspensão firme e os pneus de medida 195/55 montados em rodas de 15 polegadas. No entanto, vale respeitar a vocação urbana e a altura da carroceria, que balança em mudanças de direção bruscas. Ao menos, a direção tem relação mais direta com as rodas e peso correto em velocidades altas, que evita inseguranças na estrada. Nota 7.

Interatividade – O interior do hatch é simples e bem pensado. Os instrumentos tem ótima visualização, com informações claras e bem dispostas. Na linha 2014, o Fox até ganhou um novo aparelho de som, que manteve os botões grandes e fáceis de usar. Os botões do volante demandam um certo tempo para se assimilar todas as funções, mas se mostram úteis no dia-a-dia. Comandos vitais como vidros e ar-condicionado são bem localizados e praticamente à prova de erros. Nota 8.

Consumo – O InMetro não testou nenhuma unidade do Volkswagen Fox. No entanto, o computador de bordo da unidade avaliada acusou 9,1 km/l em ciclo urbano e 12,3 km/l em uso rodoviário, com gasolina no tanque. Nota 7.

Conforto – O bom espaço interno do modelo é um dos pontos altos. Quatro adultos conseguem se acomodar no interior sem apertos. Apenas um terceiro ocupante atrás pode sofrer com aperto graças à largura comedida da carroceria – mas, pelo menos, conta com um apoio de cabeça. O isolamento acústico é eficiente em velocidades de cruzeiro na casa dos 110 km/h e condiz com a proposta do carro. Os bancos até são confortáveis, com espuma firme, mas são pouco envolventes e deixam o corpo escorregar nas curvas mais fechadas. Já a suspensão filtra bem as irregularidades do asfalto. Nota 7.

Interior do Fox Highline

Tecnologia – O Fox fez dez anos de mercado sem grandes alterações. A plataforma é oriunda do Polo de 2001 e os motores também já têm vários anos de estrada – apenas a versão Bluemotion aposta num moderno 1.0 de três cilindros. Dentro, ele pode ter itens como sensores crepuscular, de chuva e estacionamento, além de um computador de bordo bem completo. O sistema de som, apesar da interface um tanto antiga, aceita pen-drives e se conecta com telefones via Bluetooth. Nota 7.

Habitalidade – A cabine tem uma profusão de porta-objetos que facilitam o dia-a-dia. Nas portas, um vão dedicado consegue levar garrafas de até 1,5 litro – ainda que os porta-mapas sejam pequenos. Há também uma gaveta sob o banco do motorista, boa para esconder itens mais valiosos. O porta-malas leva relativamente poucos 260 litros, mas pode ser expandido graças ao sistema de deslizamento do banco traseiro, de série no Fox Highline. Nota 8.

Acabamento – O interior do modelo é simples e correto. Há plástico rígido abundante, mas ao menos os encaixes e arremates são bons. Os tecidos são de boa qualidade – e ligeiramente superior na versão mais cara –, mas não escondem a intenção simplista do carro e destoam dos quase R$ 50 mil pedidos pelo modelo básico. Nota 6.

Design – O visual é sóbrio e bastante discreto. O hatch tem proporções corretas, com a frente curta e o vidro dianteiro bem inclinado. Mas o conjunto apenas não destoa e dificilmente o Fox ganharia algum concurso de beleza. A reestilização promovida ainda em 2011 deu a “cara” dos Volkswagen europeus – ele foi o primeiro brasileiro a ostentar tais linhas –, mas a idade já começa a pesar. Nota 6.

Custo/benefício – Os R$ 46.730 que a Volkswagen pede pelo Fox Highline são difíceis de serem justificados. Com itens como som com comandos no volante, rodas de liga-leve e faróis automáticos, a conta se eleva para R$ 51.250, impensáveis para um carro do porte do hatch. A versão serve apenas para quem fizer questão de um Fox equipado com teto solar elétrico e bancos de couro – disponíveis apenas para ele e que fazem o preço subir ainda mais, para quase R$ 55 mil. De resto, ele é idêntico a qualquer outra versão mais barata, com o mesmo conjunto mecânico. Ele ainda é relativamente mais caro que o Chevrolet Agile LTZ e o Renault Sandero Privilège – que, equipado com um rádio com tela sensível ao toque e GPS, ainda custa menos que o Volkswagen. Nota 6.

Total – O Volkswagen Fox Highline 1.6 somou 69 pontos em 100 possíveis.

Detalhe da traseira do Fox Highline

Impressões ao dirigir

O Fox é um carro agradável de dirigir. Mesmo na posição mais baixa do banco, o posto de comando é elevado e um dos destaques do hatch – ainda que o assento curto seja cansativo em viagens mais longas. Ele também entrega comandos leves e fáceis de usar ao motorista. O único senão vai para o vidro traseiro, algo pequeno. Ademais, botões de vidros e do som estão sempre à mão. O câmbio tem engates leves, curtos e precisos, com pequena movimentação da alavanca. 

Dinamicamente, o hatch altinho até surpreende pela compostura ao rodar e pelas respostas convincentes do 1.6. Há boa dose de força disponível em baixas rotações, o que facilita bastante a condução na cidade. A entrega do torque é bastante linear e o motor gira suave até o regime de potência máxima, a 5.250 rpm. No entanto, dificilmente é necessário esticar a tanto, graças à boa distribuição de força. A transmissão manual de cinco marchas tem escalonamento correto e consegue aproveitar bem os 104 cv produzidos.

Por dentro, o revestimento dos bancos – de melhor qualidade na versão topo Highline – até ajuda a criar um ambiente ligeiramente mais refinado na cabine. No entanto, é a única real diferença em relação aos outros Fox “comuns”. A montagem do interior é boa, mas o Fox ainda abusa de plásticos rígidos em portas e painel, que acaba não contribuindo para uma sensação de fato melhor a bordo da variante “top” do hatch. Nada faz barulho ou denota pobreza extrema, mas o que é oferecido ainda é pouco para justificar racionalmente a opção pelo modelo mais caro.

Fox Highline 1.6

Ficha técnica

Volkswagen Fox Highline 1.6

MotorBicombustível, 1.598 cm³, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha e duas válvulas por cilindro. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico
Potência101 cv e 104 cv a 5.250 rpm com gasolina e etanol, respectivamente
Torque15,4 kgfm e 15,6 kgfm a 2.500 rpm com gasolina e etanol, respectivamente
Diâmetro e curso76,5 X 86,9 mm
Taxa de compressão12,1:1
Aceleração de 0 a 100 km/h10,8 e 10,5 segundos com gasolina e etanol, respectivamente
Velocidade máxima183 e 184 km/h com gasolina e etanol, respectivamente
Peso1.059 kg
TransmissãoCâmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira
SuspensãoDianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora. Traseira por barra de torção e amortecedores hidráulicos
CarroceriaHatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,82 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,54 m de altura e 2,47 m de distância entre-eixos
Pneus195/55 R15
Porta-malas260 litros
Tanque de combustível50 litros
ProduçãoSão José dos Pinhais, Paraná
Lançamento no Brasil2003
Face-lift2011
Itens de sérieAr-condicionado direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, ajuste de altura do volante, banco do motorista com ajuste de altura, computador de bordo, banco traseiro deslizante, direção hidráulica, faróis e lanterna de neblina, sensor de estacionamento traseiro, freios ABS, airbags frontais. Opcionais: Rodas de liga-leve, teto solar elétrico, bancos em couro, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth com comandos no volante, computador de bordo, sensores de luz e de chuva, retrovisor interno fotocrômico e banco traseiro bipartido
Preço básicoR$ 46.730
Preço completoR$ 54.553

Detalhe dos Farois

Autor: Igor Macário (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias