Na década de 70 os brasileiros já tinham acesso a alguns modelos que tinham a esportividade no seu DNA. Como os modelos lançados eram icônicos, eles se tornaram verdadeiras referências até hoje para o mercado automotivo. Dentre estes modelos lançados aqui no Brasil se destacavam Dodge Charger R/T e Chevrolet Opala SS. E foi neste momento que a Ford resolveu que precisava dar uma resposta para o sucesso das outras montadoras nestes segmentos e lançou no mercado nacional o Maverick.

Ford Maverick 6 Cilindros

O lançamento da Ford trilhou alguns caminhos diferentes do que a maioria dos outros concorrentes, mas o objetivo sempre foi chegar no mesmo lugar que os outros modelos conseguiram. Antes de mais nada, a montadora optou já por lançar o carro no seu modelo Cupê, o que acabou dando uma boa reforçada na sua imagem mais esportiva, assegurada pela versão GTT V8. No ano de 1973 a montadora utilizou o Salão do Automóvel daquele ano para mostrar ao público nacional um outro modelo que seria lançado, o Maverick Sedan, que chegava ao mercado com o objetivo de substituir o Itamaraty, assimilado com a compra da Willys-Overland em 1967 pela Ford e eliminado da linha em 1971.

O Maverick se utilizou de diversas características do antigo Itamaraty, como o motor, sendo que a versão seis cilindros que a Ford estava lançando naquele momento era uma evolução do que o Aero Willys e o Itamaraty usavam, o que agilizou o lançamento do carro aqui no Brasil. Além disso, a montadora acabou fazendo uma grande propaganda de suposta melhorias que ela tinha implantado no carro, acima de tudo melhorando a durabilidade do veículo e também aprimorando o sistema de consumo de combustível, tornando o carro um pouco mais econômico. Neste conjunto de modificações que foram feitos no carro estavam o redesenho de diversas partes, como pistões, bronzinas, mancais, cabeçote e coletor do escapamento. Além disso, todo o sistema de lubrificação acabou sendo redesenhado também.

Mais espaço

Mas o que realmente chamava atenção dos consumidores na hora de ver por dentro o novo lançamento da Ford na época era o grande espaço interno que o carro apresentava, principalmente por causa dos espaços que destinados aos passageiros. O veículo transportava confortavelmente até seis adultos, sem nenhum tipo de aperto. Assim, as pessoas conseguiam se acomodar nos dois bancos inteiriços, o que acabou justificando os 17 cm a mais que o veículo ganhou no espaço entre eixos. A montadora ainda apostou no lançamento do carro em dois modelos aqui no Brasil, o Luxo e o Super Luxo, que mostrava realmente a categoria que a Ford achava que seu veículo se encaixava naquela época no Brasil.

Maverick V6

Apesar disso, o carro apresentava alguns problemas que ficavam nítidos quando as pessoas andavam alguns quilômetros nele. A começar pela sua grande proeza, que eram os espaços a mais para os passageiros. É claro que as seis pessoas cabiam dentro do carro, e também não iam apertadas, mas isso não significava que a experiência de andar no carro fosse muito confortável não. Existiam alguns pontos que precisavam ser melhorados de acordo com a opinião da maioria das revistas especializadas da época, como encosto dos bancos, ângulo de abertura das portas, escalonamento das marchas e o porta-malas, etc.

Dentre as críticas as que mais apareciam nas análises que eram feitas estava relacionada a falta de um espaço traseiro para colocar as bagagens, o que não era bem visto ainda mais com um carro considerado grande par aos padrões nacionais da época. As pessoas que compravam um veículo daquele tamanho naturalmente pensavam que teriam espaço suficiente para levar suas coisas para uma viagem, por exemplo, mas isso só era possível se a pessoa colocasse as malas no lugar onde deveriam estar sentados os passageiros. O formato diferenciado do banco também deixava o motorista com dificuldades para enxergar o que estava acontecendo na parte de trás do veículo.

Pelo menos a versão de quatro portas do carro não apresentava estes mesmos problemas, mas neste caso a Ford acabou esbarrando em uma questão cultural dos brasileiros que ainda não estava bem resolvida. Ninguém entende bem o motivo, mas o fato e que as pessoas não compravam carros com quatro portas na época, preferindo os veículos mais tradicionais de apenas duas portas.

Motor criticado

Fora as questões levantadas sobre o mal aproveitamento de todo tamanho do carro, as revistas da época e os analistas também detonaram outro ponto crucial do carro: o seu motor. E quando atacam o coração do automóvel, dificilmente ele consegue se recuperar. O motor de seis cilindros que tinha sido herdado do Itamaraty era considerado pouco potente para época, sendo que ele ia de 0 a 100 km/h em mais de 20 segundos e seu consumo era injustificavelmente elevado, o que deu ao Maverick a fama de 'beberrão' que muito pesou nos anos da crise do petróleo. Era muito comum escutarmos as pessoa definirem o carro como um motor que andava como um de quatro cilindros mais consumia combustível como um de oito cilindros. O que na verdade dava até uma amenizada no problema, já que foi comprovado que em algumas faixas de velocidade ele acaba bebendo mais do que um motor de oito cilindros.

Maverick Vermelho

No ano de 1975 a Ford resolveu fazer uma mudança drástica no seu motor, colocando um 2,3 litros e de quatro cilindros em linha. Era o famoso propulsor Georgia 2.3 OHC. Esse motor, que deu ao veículo um desempenho mais satisfatório, tinha uma aceleração melhor do que o antigo 6 cilindros (0 - 100 Km/h em pouco mais de 16 segundos) e um consumo bem menos elevado (média de 7,5 km por litro de gasolina). O problema é neste ponto o carro já estava contaminado com a má fama causada pelo motor de seis cilindros, fazendo com que mesmo com estas melhorias as pessoas ainda achassem que o carro andava menos do que deveria pelo consumo.