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Nos últimos anos, alguns modelos “funcars” desembarcaram no Brasil. E, em um curto espaço de tempo, conseguiram adeptos e admiradores. São aqueles carros, geralmente compactos, com design não convencional e foco principalmente no público jovem – e irreverente. Alguns exemplos recentes são o Volkswagen Fusca, Citroën DS3, Mini Cooper e Smart Fortwo. Mas talvez o carro que mais se identifique com a classificação de divertido é o Fiat 500. Além das características linhas clássicas do carro, a versão conversível traz um toque a mais de sedução: uma simpática capota de tecido com retração elétrica. E, na linha 2014, o “carrinho” ainda ganhou mais sintonia com o mercado brasileiro. O conhecido motor MultiAir 1.4 litro passou a aceitar etanol nas versões Cabrio e Sport. Já a de entrada, Cult, segue com o propulsor Fire 1.4 Evo 8V, também flex. Mesmo que o recurso não se converta em economia na bomba, significa, pelo menos, que o carrinho paga metade do IPVA que o modelo só a gasolina.

Para poder variar a dieta, o propulsor MultiAir produzido na fábrica de motores da Chrysler em Dundee, nos Estados Unidos, passou por um “abrasileiramento” no Centro de Engenharia da Fiat, em Minas Gerais. Dentre as inúmeras modificações, os engenheiros da marca italiana trocaram os pistões para elevar a taxa de compressão do motor dos antigos 10,8:1 para 11,7:1 – um aumento de 8%. Outra alteração foi a recalibração da admissão do ar pelo motor – controlada eletronicamente através das válvulas. Movido a etanol, o 500C passou a entregar 107 cv de potência e 13,8 kgfm de torque. Os números quando abastecido com gasolina seguem os mesmos: 105 cv e 13,6 kgfm. Na charmosa versão conversível, o trem de força é completado somente pela transmissão automática de seis marchas – a transmissão automatizada não é disponível para o motor MultiAir.

O câmbio automático, por sua vez, foi outra peça que recebeu melhorias. Alguns recursos foram otimizados, como o de seis marchas “kick-down”, que reduz rapidamente as marchas em caso de retomada. O “brake-assistant” reduz automaticamente as marchas em freadas bruscas e o sensor “up-down slope” adapta as relações do veículo de acordo com a inclinação. Já a função “cornering” da transmissão inibe as trocas de marchas em curvas. Por fim, o sistema “fast-off” impede a “subida” de marcha quando o condutor tira o pé rapidamente do acelerador.

Fiat 500 Cabrio

No visual, a Fiat não mexeu no consagrado design do 500C. As linhas retro-futuristas permanecem. E na versão Cabrio, diferentemente dos conversíveis tradicionais, as colunas traseira e central continuam no lugar quando o teto é rebatido. Na prática, é como se fosse um teto solar gigante que rebate até o vidro traseiro. Sistema muito mais simples e barato de produzir do que um com engrenagens que escondam um teto rígido, por exemplo. A manutenção do arco do teto permite conservar boa parte da rigidez torcional do conjunto. A perda pela ausência de uma travessa ligando as colunas centrais é compensada por reforço estrutural na base, que acaba rebaixando o centro de gravidade do modelo. O tecido do teto ainda pode vir na cor preta ou vinho.

O 500C não é um carro barato e tampouco um “hit” de vendas. Ele custa iniciais R$ 64.230 e corresponde a apenas 3% das 600 unidades mensais emplacadas pela gama Cinquecento em 2014 – média parecida com a de 2013. Mas o modelo traz alguns itens de série interessantes, como controles de estabilidade e tração, airbags dianteiros e laterais, rodas de liga leve de 15 polegadas, controle de cruzeiro e volante revestido em couro. Mas esse valor pode ultrapassar R$ 70 mil com a inclusão de opcionais como ar-condicionado digital, pintura perolizada, bancos revestidos em couro, sistema Blue & Me com entrada USB, Bluetooth e comandos de voz, som Alpine, retrovisor interno eletrocrômico, teto na cor vermelha ou preta e mais bolsas de ar de cortina e para o joelho do motorista. Apesar de não ser nada barato, ainda é o conversível mais acessível do mercado.

Traseira do Fiat 500 Cabrio

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.4 MultiAir Flex de 107 cv não alterou notavelmente o comportamento do 500C. Ainda mais porque nesta versão o propulsor é sempre acoplado à transmissão automática de seis marchas, que anestesia um pouco as reações. O ganho de velocidade é progressivo, mas longe de uma performance esportiva. O 500C leva 12,2 segundos para alcançar os 100 km/h – com etanol. As dimensões diminutas conferem agilidade no trânsito urbano, mas o câmbio poderia esticar menos as marchas. Nota 7.

Estabilidade – O comportamento do 500C é muito sereno. O conjunto suspensivo tem calibragem macia e privilegia, principalmente, o conforto. Nas curvas, o subcompacto segue a direção apontada sem surpresas. A reduzida massa além dos eixos dá maneabilidade de kart, com todo o peso entre os eixos. Assim, apesar das rolagens de carroceria, há boa aderência. Nota 8.

Interatividade – Manusear o Fiat 500C é extremamente fácil. Os comandos mais importantes estão ao alcance do motorista. O volante com ajuste de profundidade e altura, além dos bancos com regulagem de altura, facilitam achar a melhor posição de condução. O painel de instrumentos consiste em círculos concêntricos em que o computador de bordo fica dentro do conta-giros, que por sua vez fica envolto pelo velocímetro. Um design interessante, mas com excesso de informação em um pequeno espaço. A visibilidade dianteira é boa. Atrás, porém, o pequeno vidro não ajuda muito. E piora quando o teto é recolhido. O carro ganha em charme, mas a retrovisão é nula. Nota 7.

Consumo – O InMetro não fez medições da versão Cabrio do 500 MultiAir Flex. O computador de bordo, no entanto, marcou uma média de 7,8 km/l quando abastecido com gasolina em trajeto misto. Nota 6.

Conforto – A grande atração do 500 Cabrio é o teto de lona retrátil. Com ele aberto, dá até uma sensação de espaço, mas não há mágica. O 500C é para dois adultos e, no máximo, duas crianças atrás. Os bancos em couro tratam bem os ocupantes, assim como o bom acerto da suspensão, que filtra boa parte das imperfeições nas ruas. O inevitável é o barulho dentro do habitáculo, pois o teto de lona não isola os ruídos. Nota 8.

Interior do Fiat 500 Cabrio

Tecnologia – O 500C é bem fornido nesse aspecto. O motor é moderno e ganhou adaptação flex pelos engenheiros da Fiat no Brasil, em 2013. A plataforma é de 2007 e ainda é eficiente. O 500C tenta justificar o preço de quase R$ 65 mil com tecnologias como controle de estabilidade e de tração e quatro airbags de série – dois laterais e um de joelho são opcionais. Quanto aos dispositivos da “moda”, o subcompacto tem entrada USB e Bluetooth. As ausências mais notadas são uma tela sensível ao toque e sistema de navegação. Nota 8.

Habitabilidade – O tamanho reduzido não é um problema para entrar ou sair do 500C. As portas garantem um bom ângulo de abertura. Já acessar os bancos traseiros exige contorcionismo. São poucos porta-objetos, mas bem aproveitáveis. No caso do porta-malas – que é ainda menor que no 500 “convencional”, só há espaço para volumes pequenos – são apenas 153 litros. Nota 7.

Acabamento – O acabamento do 500C está um nível acima do restante dos carros da Fiat. Os plásticos estão por toda parte, mas sempre de bom aspecto e com arremates precisos. O destaque do habitáculo, porém, é estilístico. A grande peça de plástico no painel central acompanha a cor da carroceria e dá um toque diferente ao carro da Fiat – recurso copiado pela Volkswagen no Up. No caso da versão Cabrio, os bancos em couro bicolores – creme e vermelho – dão requinte ao pequenino veículo. O couro também se mistura aos plásicos no painel das portas. Tudo com muito bom gosto e sem exageros. Nota 8.

Design – Se a versão fechada já se distingue na multidão, a configuração conversível do 500 põe o pequeno modelo da Fiat em outro patamar. Exterior e interior abusam de linhas retrôs – como o desenho circular dos faróis. Tudo de extremo bom gosto e em harmonia. Ainda mais com a abertura da capota com três estágios – o último rebate até o vidro traseiro. Nota 9.

Custo/benefício – O 500C continua a ser o carro conversível mais barato do Brasil. O preço inicial é de R$ 64.230. Porém, a etiqueta pode chegar a R$ 71.636 com todos os opcionais, que incluem desde ar-condicionado digital até airbag para o joelho do motorista. O valor ainda é mais em conta que o rival mais próximo: o apertado Smart ForTwo Cabriolet de R$ 74 mil. O valor completo do 500C chega perto de alguns sedãs médios, mas nenhum deles impressiona tão bem quanto o carrinho da Fiat. Nota 7.

Total – O Fiat 500C somou 75 pontos em 100 possíveis.

Teto solar do Fiat 500

Impressões ao dirigir

Beleza italiana

Não há argumento mais forte a favor do 500 que o visual. O estilo “vintage” e as medidas enxutas vendem mais que as próprias especificações técnicas do carro. E a versão Cabrio é, literalmente, a “cereja do bolo” do subcompacto – ainda mais com capota de lona na cor vinho. O “carrinho” chama atenção por onde passa. Recolher o teto e sentir o vento bagunçar os cabelos é uma pequena amostra de liberdade em torno de uma “jaula” de metal.

Mas até o 500C se diferencia de outros conversíveis. O condutor pode escolher três níveis. O primeiro vai só até a metade. Pressionando o botão mais uma vez, a capota elétrica se “arrasta” mais um pouco para atrás e já propicia um ambiente mais aberto. Porém, a capota de tecido ainda possui um terceiro ajuste que retrai até o encostro de cabeça dos ocupantes traseiros. Talvez a diferença mais gritante sejam as colunas centrais e traseiras, que ficam “paradinhas” no lugar enquanto a capota se movimenta.

Essa característica serve para mostrar dois lados do carro. Uns podem dizer que ele não é um conversível genuíno, sem colunas e com um mecanismo que esconde a capota no porta-malas, por exemplo. Mas por outro, essa opção cria uma espécie de ambiente mais particular. Há mais sensação de privacidade entre os ocupantes que em outros conversíveis. Isso pode favorecer o condutor a andar mais tempo com o teto retraído sem medo da violência ou, mesmo, de se expor.

Fiat 500 Cabrio

Quanto às especificações técnicas, o 500C não deixa a desejar. Todavia, não é um carro para acelerações fortes. Até existe um botão “Sport” no console, que deixa a direção mais “durinha” e precisa, além das respostas do motor mais “ouriçadas”. Mas nada que resulte em grandes emoções. O comportamento dinâmico, em geral, preza pela calmaria. O motor 1.4 MultiAir Flex de 105/107 cv com gasolina e etanol, respectivamente, empurra o modelo sem dificuldades. A transmissão automática de seis marchas também executa bem o trabalho, mas permite que o propulsor alcance rotações muito altas para efetuar a troca. Isso se reflete em um maior barulho dentro do habitáculo.

Esse, por sua vez, demonstra toda delicadeza do 500C. Equipado com o chamado “Kit Cabrio 2”, o Cinquecento ganha bancos em couro que revestidos em dois tons – um semelhante ao da capota. O vermelho vibrante dos assentos se destaca junto com o painel também de cor diferenciada. Em vez das borboletas para as mudanças de marcha, o 500C tem botões que aumentam ou diminuem o volume do rádio e permitem alterar uma música do pendrive ou a estação de uma rádio. Equipado com o sistema Blue & Me, emparelhar um celular por meio do Bluetooth só por comando de voz. Toda essa transação pode tomar alguns minutos de quem está dirigindo.

Detalhe do Farol - Estilo já cansou

Ficha técnica

Fiat 500C 1.4 16V Automático Flex

MotorBicombustível, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, válvulas de admissão com sistema variável de tempo de abertura MultiAir e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial
TransmissãoCâmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração
Potência máxima105 cv com gasolina e 107 cv com etanol a 6.250 rpm
Torque máximo13,6 kgfm com gasolina e 13,8 kgfm com etanol a 3.850 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h12,6 segundos com gasolina e 12,2 s com etanol
Velocidade máxima179 km/h com gasolina e 180 km/h com etanol
Diâmetro e curso72,0 mm X 84,0 mm. Taxa de compressão: 11,7:1
SuspensãoMcPherson com rodas independentes, com barra estabilizadora, braços oscilantes inferiores e geometria triangular. Traseira com eixo de torção e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade
Pneus185/55 R15
FreiosDiscos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e BAS
CarroceriaConversível compacto em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 3,54 metros de comprimento, 1,62 m de largura, 1,50 m de altura e 2,30 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais de série. Airbag de cabeça e de joelho do motorista como opcional
Peso1.179 kg
Capacidade do porta-malas153 litros
Tanque de combustível40 litros
Itens de sérieAr-condicionado, direção elétrica de dois estágios, controle de estabilidade e tração, airbags frontais e laterais, ABS com EBD e BAS, assistente de partida em ladeiras, volante revestido em couro, rádio/CD/MP3, apoio de braço central, computador de bordo, faróis de neblina, trio elétrico, cruise control, rodas de liga leve de 15 polegadas, banco do motorista e volante com regulagem de altura e sensor de estacionamento traseiro
PreçoR$ 64.230
Opcionaispintura perolizada, ar-condicionado automático digital, bancos revestidos em couro, sistema Blue & Me com entrada USB, Bluetooth e comandos de voz, som Alpine, retrovisor interno eletrocrômico, teto na cor vermelha ou preta e airbags de cabeça e de joelho para o motorista
Preço completoR$ 71.636

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias