• Novo Renault Logan - Foto 1
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    Novo Renault Logan - Foto 5

O Logan tem um significado especial para a Renault. Foi o carro que quebrou a imagem de “estrangeira” que a fabricante tinha no Brasil. Até ali, ela patinava atrás de marcas japonesas, apesar de ter uma linha bem mais numerosa. Foi quando a montadora francesa resolveu se popularizar. Apelou para modelos de baixa tecnologia e menor preço para seduzir a emergente Classe C. Deu certo. A classe média-baixa, pouco exigente em relação a requinte ou beleza, foi seduzida pela praticidade e pela acessibilidade do sedã, criado pela subsidiária romena Dacia. Agora, na hora de renovar seu modelo, a Renault tratou de melhorar sua oferta – o mercado não está fácil para ninguém. Não chegou a subir o nível tecnológico ou de acabamento, mas manteve o preço semelhante ao do antigo – começa em R$ 28.990, na versão Authentique 1.0, e vai até R$ 44.100, na Dynamique 1.6 8V – e elevou sensivelmente o padrão estético. Afinal, fazer carro bonito não é mais caro.

O visual frontal do novo Logan se aproximou bastante do utilizado no Renault Clio, que já ostenta a nova identidade internacional da Renault. Os faróis afilados são valorizados pelo capô rebaixado e pela grade estreita, dominada pelo enorme losango da logomarca – desta vez exibido com algum orgulho. Ela é invadida por duas pequenas protuberâncias que sobem do para-choque, que ficou bem mais bojudo. A marca buscou emprestar algum requinte ao modelo espalhando alguns frisos cromados aqui e ali. Na grade, os filetes se projetam horizontalmente, como bigodes. Na versão de topo Dynamique, outro percorre toda a saia dianteira e liga as luzes de neblina. Na traseira, eles dividem as seções das lanternas, que agora ficaram mais gorduchas. 

Nas laterais, as mudanças são menos radicais. Afinal, a plataforma atual, M zero, é apenas uma derivação da original B zero, e foi feita para ser aplicada em modelos Dacia. Esta “profunda reestilização” – definição da própria Renault quando este Logan foi mostrado no Salão de Buenos Aires, em junho – foi aplicado também ao “novo” Sandero, modelo lançado na Europa ano passado e que passa a ser produzido no Paraná no ano que vem. Por estarem amarrados na arquitetura básica, criada há 10 anos, os engenheiros não puderam, por exemplo, avançar, recuar ou alterar a angulação de portas ou colunas. De qualquer forma, os designers da marca conseguiram disfarçar razoavelmente a limitação, com novo recorte dos vidros e o arredondamento das arestas entre teto e portas. Os para-lamas também ganharam ressaltos bem generosos, que remetem diretamente ao desenho do utilitário Duster.

Novo Logan - Nova Traseira

A operação para manutenção da velha estrutura no Logan foi engenhosa e, segundo a marca, “mudou tudo que era visível”. Com isso, a empresa economizou um bom dinheiro em desenvolvimento de uma plataforma realmente nova – a parte mais salgada de qualquer projeto. Ainda assim, decidiu etiquetar o carro no lançamento com uma discutível definição de “nova geração”. O “truque” não é novo. Foi usado inclusive pela própria Renault, quando montou o Symbol sobre o esqueleto do velho Clio sedã, Por isso mesmo, as medidas básicas do modelo não mudaram, como espaço interno, entre-eixos de 2,63 metros e porta-malas, com bons 510 litros.

Em outros aspectos, o Logan continua sendo um carro honesto. Caso do novo design do interior, das suspensões – modificadas por conta das bitolas aumentadas – e da nova arquitetura eletrônica, que permite a instalação de novos equipamentos. Já o trem de força quase não mudou, mas os motores foram rebatizados de Hi-power. O propulsor 1.6 8V é exatamente o mesmo e rende 98/106 cv com gasolina/etanol. Já o 1.0 16V ganhou as mesmas mudanças inauguradas no Clio no final do ano passado. Ele rende agora 77/80 cv de potência com gasolina/etanol – 1 e 3 cv a mais, respectivamente. Por enquanto, o câmbio automático, e o próprio motor 1.6 16V que ele gerenciava, ficaram de fora da gama. A ideia é modernizar o conjunto com uma transmissão de seis marchas, que deverá ser apresentada depois do Carnaval de 2014.  A montadora espera que a nova linha Logan venda 20% mais que o anterior. Ou seja: passar das atuais 1.900 vendas mensais para a média de 2.300 unidades por mês.

Novo Logan - Nova identidade visual

Primeiras impressões

Cara e coração

Campinas/SP – À primeira vista, há pouca familiaridade no novo Logan. O desenho externo do sedã compacto mudou muito – para melhor – e o desenho interno também está mais caprichado, com aplique de plástico que imita lacca no console central e com o cluster de instrumentos se projetando sutilmente do tablier. Os bancos da versão de topo Dynamique também ganharam uma bossa, com a técnica de revestir o assento com um tecido de espuma densa, onde se pode fazer relevos – chamada pomposamente de CCT, de Cover Carving Technology, algo como “tecnologia de cobertura entalhada”. Já os materiais mostram que o “upgrade” não foi tão longe. Tecidos, plásticos e comandos continuam no mesmo nível “popular” do modelo anterior. E não transmitem qualquer ar de sofisticação. Nem mesmo o sistema multimídia Media Nav, com sua tela de toque com 7 polegadas, muda esta impressão. Só uma tela de LCD é capaz para dar a ideia de alta tecnologia.

No entanto, o Media Nav reforça outras qualidades intrínsecas ao modelo, como praticidade e eficiência. Depois de um pequeno desacerto até entender a lógica do aparelho, ficou fácil explorar todo o potencial do equipamento, que tem GPS, Bluetooth e controle do som. A novidade no caso é o sistema de monitoramento de consumo com as funções eco-scoring e eco-coaching. O primeiro propõe uma espécie de jogo, em que é o motorista é avaliado em função da economia que obtém ao dirigir. Já o eco-coaching indica em que situações a economia pode ser maximizada. Para ajudar neswte monitoramento, foi instalado no painel um indicador de mudança de marcha. Nada disso é inédito, mas a ideia de criar uma relação lúdica para incentivar a economia é bastante eficaz.

E é bem-vinda em um modelo que não prima pela dinâmica superior. O Logan continua racional ao extremo. E neste e em outros pontos, nada mudou. O motor 1.6, de 106 cv com etanol, é capaz de empurrar bem os 1.070 kg do modelo, mas há disposição de sobra. As curvas também são contornadas com competência, mas não se pode buscar limites. Inclusive porque em um carro familiar, o compromisso da suspensão é maior com o conforto do que com a esportividade. O espaço interno também manteve a boa velha generosidade, seja na altura ou na largura. O isolamento acústico, segundo a Renault, recebeu uma atenção especial. Mas a melhora não foi suficiente para mudar o nível de vida a bordo, que continua sem requintes. São nessas características que o Logan explicita que, no fundo, ainda é o velho Logan. Um carro simples, que cumpre o que promete. A vantagem é que agora ele está mais agradável de se olhar.

Nova frente - Novo conjunto de faróis e milhas

Ficha Técnica - Novo Renault Logan

Motor 1.0 (1.6): A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³ (1.598 cm³), com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 77 cv com gasolina e 80 cv com etanol a 5.750 rpm (1.0) e 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm (1.6).
Torque máximo: 10,2 kgfm com gasolina e 10,5 kgfm com etanol a 4.250 rpm (1.0) e 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm (1.6)
Diâmetro e curso (1.0): 69 mm x 66,8 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Diâmetro e curso (1.6): 79,5 mm x 80,5 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Tipo MacPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais. Barra estabilizadora na versão Dynamique. Traseira semi-independentes, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 185/65 R15.
Freios: Dianteiros com discos sólidos de 259 mm de diâmetro. Traseiros com tambores de 178 mm de diâmetro com direção mecânica. Dianteiros com disco sólido de 259 mm de diâmetro. Traseiros com tambores de 203 mm de diâmetro com direção hidráulica.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,35 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,53 m de altura e 2,64 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.028 kg (1.0) e 1.070 kg (1.6), em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 510 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.

Itens de série

Authentique 1.0: Airbag duplo, freios ABS com EBD, brake light, rodas 15 polegadas, retrovisor na cor preta, maçanetas externas na cor preta, retrovisor com regulagem interna, para-sol com espelho cortesia, aberturas internas do porta-malas e reservatório de combustível. Preço: 28.990.
Opcionais: direção hidráulica e ar-condicionado.

Expression 1.0 e 1.6: Adiciona ar-condicionado, direção hidráulica, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas das portas, alarme perimétrico, computador de bordo, banco traseiro rebatível 1/1, ar quente, desembaçador traseiro, retrovisor e maçanetas externas na cor carroceria, coluna B com acabamento em preto. Preços: R$ 33.990 e R$ R$ 39.440.
Opcionais: Media NAV 1.2 e sensor de estacionamento.

Dynamique 1.6: Adiciona:Bancos com tecnologia CCT, rodas 15 polegadas em liga leve, faróis de neblina, vidros elétricos traseiros, piloto automático, limitador de velocidade, luzes indicadoras de direção nos retrovisores, comando elétrico dos retrovisores,  banco rebatível 1/3 e 2/3 e volante revestido em couro. Preço: R$ 44.100.
Opcionais: sistema multimídia Media NAV 1.2, sensor de temperatura externa, ar-condicionado automático e sensor de estacionamento.

Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias