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    Jeep Grand Cherokee - Foto 5

A Jeep foi uma das marcas que entrou no “pacote” de aquisição do Grupo Chrysler pela italiana Fiat, em 2009. Agora os dois grupos formam a Fiat Chrysler Automobiles – FCA – e a transição se mostrou positiva para o lado dos norte-americanos. O aspecto dos carros da Jeep ainda é um tanto quanto bruto, mas, com certeza, a linha ganhou sofisticação. E isso pode ser visto no face-lift que a marca promoveu no seu modelo-chefe, o Grand Cherokee. Em janeiro de 2013, a fabricante mostrou a atualização da quarta geração do utilitário no Salão de Detroit, com alguns retoques visuais e mudanças internas. E, em dezembro último, o veículo desembarcou por aqui. Na versão topo Limited, que é onde ele mostra todo o seu potencial. 

De dentro para fora, é notável a percepção de mais tecnologia. No lugar do painel, a fabricante colocou uma tela TFT de sete polegadas, que emula os mostradores convencionais. A lista de equipamentos de série inclui a segunda geração da central de infoentretenimento UConnect, com conexões USB/Bluetooth/iPod, que conta também com navegador integrado e é comandado por uma tela sensível ao toque de 8,4 polegadas. Além disso, vem com sistema de som premium com nove alto-falantes, ar-condicionado digital dual zone, partida sem chave e rodas de liga leve de 20 polegadas. O volante é multifuncional e traz os comandos do painel, além dos de controle de cruzeiro. Atrás, embaixo das borboletas, o condutor pode controlar o volume do som e mudar de música ou estação de rádio – igual ao encontrado no Fiat 500.

Apesar do domínio da Fiat, a plataforma ainda é legado dos tempos de Daimler-Chrysler e usada em modelos como o Mercedes-Benz ML, de segunda geração. Ela permite que o Grand Cherokee explore bastante o espaço interno. E a influência europeia da Fiat também resultou em mais sofisticação no interior do Grand Cherokee. Assentos, volante e forros das portas e do teto são revestidos em couro e têm frisos em madeira. Como em qualquer face-lift, as mudanças externas – por mais sutis que pareçam – dão vida nova ao veículo. Ainda mais para um modelo que pretende encarar, no Brasil, rivais, como Volkswagen Touareg, BMW X3, Audi Q5, Mercedes Classe ML e até Land Rover Discovery. Os leds passaram a ser usados nas luzes diurnas e nas lanternas traseiras. O grupo ótico dianteiro, por sinal, é semelhante ao do sedã 300C, da Chrysler. Já o perfil não sofreu grandes alterações. E o Brasil adota uma peculiaridade em relação ao carro. A Jeep retirou de qualquer versão a oferta de teto solar. Mas a explicação é simples. Os altos índices de criminalidade nas cidades tupiniquins fazem com que a maioria dos Grand Cherokee comercializados sejam blindados pelos compradores. E como o teto solar da nova geração do SUV adota lâminas de vidros maiores, comprometeria a segurança da blindagem.

Traseira do Jeep Grand Cherokee

Sob o capô está o recente motor Pentastar V6 de 3.6 litros a gasolina. Ele desenvolve 286 cv a 6.350 rpm e 35,4 kgfm de torque a 4.300 rpm. Mas a novidade fica por conta da transmissão. Sai a automática de cinco velocidades para dar lugar a uma moderna de oito relações fornecida pela empresa alemã ZF. Além de conseguir um menor consumo e redução na emissão de poluentes, ela faz o utilitário esportivo de 2.125 kg sair da imobilidade e atingir os 100 km/h em 8,3 segundos. Já a velocidade máxima é de 206 km/h.

Além de todo o estilo, equipamentos e desempenho, a Jeep não deixou de fora a “pegada” off-road pela qual ficou conhecida. O SUV traz a segunda geração do sistema de tração 4X4, chamado de Quadra-Trac II, com dispositivo Selec-Terrain. Ele configura motor, transmissão e demais sistemas dinâmicos de acordo com o terreno selecionado – pode ser lama/areia, pedra, neve, asfalto ou ficar no modo automático. O carro ainda está bem recheado de recursos de segurança: controle eletrônico de estabilidade, sistema antirrolagem da carroceria, freios ABS nas quatro rodas com detecção de pisos irregulares, partida do motor à distância, além de encostos de cabeças ativos, airbags dianteiros, laterais, do tipo cortina e de joelhos para o motorista. E como tudo tem seu preço, a Jeep não se faz de rogada – cobra R$ 214.900 pela Grand Cherokee Limited.

Jeep Grand Cherokee Limited

Ponto a ponto

Desempenho – Mesmo sendo um utilitário “pesadão” – são mais de duas toneladas –, o motor V6 3.6 litros de 286 cv não vacila em responder às solicitações do pedal do acelerador. As acelerações são vigorosas e o trabalho da transmissão automática de oito relações é impecável. Além de trocas rápidas e totalmente imperceptíveis, ela atende qualquer demanda do condutor, seja por mais potência ou na eficiência das retomadas. O modelo ainda oferece trocas manuais por meio dos paddle-shifs no volante, que instigam uma “tocada” mais esportiva. Nota 9.

Estabilidade – Em velocidades urbanas, o utilitário norte-americano demonstra agilidade e boa dose de firmeza com rolagens de carroceria controladas. O volante tem o peso correto e a comunicação com as rodas é precisa. Méritos para a nova suspensão, capaz de controlar os movimentos da carroceria sem abrir mão do conforto. Já acima dos 100 km/h, o SUV muda de comportamento. A mesma estabilidade na cidade dá lugar a uma condução que exige mais atenção por parte de quem dirige devido a uma leve flutuação e à perda de precisão na direção. Nota 7.

Interatividade – Em um primeiro momento, o condutor pode ficar confuso com a grande quantidade de comandos no volante e painel. Mas em pouco tempo é fácil se adaptar. Todos estão bem localizados e de simples manuseio. Com as dimensões generosas, a Jeep instalou sensores dianteiros e traseiros no carro – além de câmera de ré –, o que torna a vida do motorista menos estressante na hora de manobrar ou estacionar o “jipe”. O revés é a alavanca da transmissão automática, que tem comandos pouco precisos para as funções P, R, N, D e S. O motorista necessita olhar para a peça ou para o painel de instrumentos para descobrir qual marcha está engatando. Querer andar para frente e se deparar com a câmera de ré no visor da tela multimídia não é incomum de acontecer. Nota 8

Consumo – O Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro aferiu a Grand Cherokee Limited. E constatou que o utilitário movido somente a gasolina registrou médias de 5,9 km/l na cidade e 7,7 km/l na estrada. Os números renderam nota “D” em relação à categoria e “E” no geral. Durante o teste, o computador de bordo nunca mostrou menos que 5 km/l. Nota 4.

Conforto – Uma das grandes qualidades do SUV. A Grand Cherokee trata bem todos que vão dentro. Os bancos em couro são macios, o isolamento acústico impecável e, atrás, três ocupantes viajam tranquilamente. A suspensão firme não compromete o conforto e absorve, na medida do possível, as imperfeições do asfalto. Em alguns buracos, porém, as grandes rodas de 20 polegadas do utilitário repassam, sem cerimônias, as imperfeições do caminho e promovem pequenos “sacolejos” dos passageiros. Nota 9.

Interior do Jeep Grand Cherokee

Tecnologia – A tecnologia embarcada da Grand Cherokee é outro ponto a ser destacado. Além do motor V6 Pentastar ser moderno, a versão “top” Limited traz boa dose equipamentos, como ar-condicionado digital de duas zonas de atuação, sistema multimídia UConnect com GPS integrado e em três dimensões, entradas USB, conexão Bluetooth, nove alto-falantes, subwoofer e amplificador de 506 Watts, além de uma tela de generosas 8,4 polegadas “touch”. Na segurança, o utilitário traz airbags dianteiros, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista. Pelos quase R$ 215 mil pedidos pela Jeep, o modelo poderia oferecer teto solar, controle de cruzeiro adaptativo e assistência à mudança de faixa de rolamento. Nota 9.

Habitabilidade – Com ajustes elétricos do banco e do volante, achar a posição mais adequada de dirigir se torna uma tarefa fácil. Apesar do grande espaço interno, o número de porta-trecos é limitado. As opções são as portas ou o duplo porta-copo central, que pode acabar como nicho para chaves, carteira ou celular. Já os acessos ao carro, que é mais “altinho”, são bons e não pedem grandes esforços de quem vai entrar. O porta-malas leva razoáveis 457 litros. Nota 8.  

Acabamento – O habitáculo vem com um revestimento com materiais emborrachados e agradáveis ao toque em todos os pontos de contato com os passageiros. Os plásticos rígidos estão presentes apenas em áreas nas portas e em partes do painel menos acessíveis. O acabamento traz uma faixa no console que imita madeira e as portas e o console central ainda recebem um aplique metálico que, junto dos bancos e volante em couro, dão um toque refinado ao modelo. Nota 9.

Design – Apesar do público-alvo da Grand Cherokee ser pessoas com mais de 40 anos – 50% de homens e 50% de mulheres –, o visual do SUV ganhou aspectos joviais e modernos, mas sem deixar de lado a identidade da marca. O novo desenho dos faróis em leds lembram os do Chrysler 300C. Atrás, as lanternas com traços irregulares invadem a lateral. A mistura de esportividade e robustez ainda é caracterizada pela tradicional grade com sete fendas cromadas, pelas rodas de 20 polegadas de cinco raios e as duas saídas de escapamento nas extremidades do para-choque traseiro. Nota 8.

Custo/benefício – A Jeep cobra R$ 214.900 pela versão Limited do Grand Cherokee. Pelo Touareg V6 de 283 cv e também com uma transmissão de oito velocidades, a Volkswagen pede R$ 223.250. Na disputa de rivais com vocação off-road, a Land Rover Discovery S – “básica” – sai por R$ 235.500. O modelo norte-americano também briga com os alemães BMW X3 xDrive28i com motor 2.0 litro biturbo de 245 cv  – R$ 251.950 –, Audi Q5 e seu  3.0 Turbo FSI de 272 cv – R$ 246.700 – e o Mercedes-Benz ML com propulsão apenas diesel – V6 3.0 de 258 cv – que parte de R$ 259.900. Nota 5.

Total – O Jeep Grand Cherokee Limited somou 76 pontos em 100 possíveis.

Traseira do Jeep Grand Cherokee

Impressões ao dirigir

O Jeep Grand Cherokee é um daqueles modelos que reúnem diversas qualidades buscadas em um carro. Tem um convincente desempenho, conforto, acabamento refinado, uma boa dose de tecnologia e ainda faz bonito no off-road. Na parte da dinâmica, quem dá as cartas é o motor V6 que, quando exigido, dá um “ronquinho” que convida o motorista a “atochar” o pé no acelerador em qualquer retinha livre só para ouvir a sinfonia mais uma vez. O propulsor move os exatos 2.125 kg sem acusar qualquer fadiga. Apesar do torque de 35,4 kgfm só estar disponível em sua totalidade aos 4.300 rpm, o Grand Cherokee Limited demonstra arrancadas vigorosas – auxiliado pelo comando variável de abertura das válvulas. 

Digno de nota também é o câmbio automático de oito relações – criado pela alemã ZF – que equipa o SUV. A transmissão consegue extrair o melhor do propulsor 3.6 litros. Ela mantém o utilitário trabalhando em faixas de rotações baixas e, a 120 km/h, o tacômetro acusa apenas 2 mil rpm. Apesar de ser meio “brutamontes”, a Grand Cherokee se sai bem no caótico trânsito urbano e, graças aos sensores espalhados pelo carro e a câmera de ré, estacionar em um shopping, por exemplo, se torna uma missão mais fácil.

O conta-giros, inclusive, além do medidor de combustível e de temperatura do motor, são os únicos mostradores analógicos do modelo. No centro, o cluster de instrumentos foi substituído por uma tela TFT colorida de 7 polegadas. Ela é personalizável por meio de comandos no volante e traz algumas funções como velocímetro – analógico ou digital –, informações sobre a pressão dos pneus, GPS, sistema de som, leitor de mensagens de texto e medidor de consumo. Ao todo, são mais de 100 configurações e um estilo video-game.

Dentro, a Grand Cherokee “abraça” os ocupantes. Os bancos tem ótima densidade e proporcionam um bom conforto tanto para quem vai na frente quanto atrás – o carro leva três ocupantes sem demandar muita intimidade. Eles ainda tem alguns “mimos”, como comandos elétricos que podem memorizar o melhor acerto de posição de acordo com a preferência do condutor e também aquecimento – algo que não será muito usado no Brasil. O habitáculo conta com superfícies agradáveis ao toque e ao olhar, com detalhes em alumínio. O formato da alavanca do câmbio automático que é estranho. Ela parece um taco de golfe, mas a ergonomia é boa. Para curtir uma longa viagem, a Grand Cherokee oferece o sistema de som Alpine com nove alto-falantes e o dispositivo multimídia Uconnect. A central com tela de 8,4 polegadas sensível ao toque é de fácil manuseio, apesar da infinidade de funções.

Jeep Grand Cherokee Limited

Ficha técnica

Jeep Grand Cherokee Limited

MotorGasolina, dianteiro, longitudinal, 3.604 cm³, seis cilindros em V a 60º, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial. Transmissão: Câmbio automático com oito velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças manuais sequenciais atrás do volante. Controle eletrônico de tração e cinco configurações para os dispositivos dinâmicos
Potência máxima286 cv a 6.350 rpm
Torque máximo35,4 kgfm a 4.300 rpm
Diâmetro e curso96,0 mm x 83,0 mm
Taxa de compressão10,2:1
SuspensãoDianteira independente com braços curtos, molas helicoidais, amortecedores a gás, barra estabilizadora e braços de controle inferior e superior. Traseira independente do tipo Multilink com molas helicoidais, amortecedores a gás, braço de controle inferior e superior. Oferece controle eletrônico de estabilidade
FreiosDiscos ventilados na frente e atrás. ABS com EDB de série
CarroceriaUtilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,83 metros de comprimento, 1,94 m de largura, 1,80 m de altura e 2,92 m de distância entre-eixos. Airbags dianteiros, laterais, do tipo cortina e para joelhos do motorista
Peso2.125 kg em ordem de marcha
Capacidade do porta-malas457 litros
Tanque de combustível94 litros
ProduçãoDetroit, Estados Unidos
Lançamento no BrasilDezembro de 2013
Itens de sérieAr-condicionado dual zone, sete airbags, ajuste automático de altura do facho dos faróis, ajustes lombares para os bancos dianteiros, bancos dianteiros com ajustes elétricos e aquecidos, câmera de ré, coluna de direção com ajustes elétricos, controle de tração e estabilidade, controle de velocidade em descidas, faróis bi-xenônio, sensor de luminosidade, acabamento interno em couro, sensor de chuva, monitor de pressão dos pneus, sistema de entretenimento com tela de 8,4 polegadas, sistema de entretenimento Uconnect com navegador GPS 3D integrado, volante revestido em couro com comandos do áudio, cruise control e rodas de liga leve de 20 polegadas
PreçoR$ 214.900

Capô e Motorização do Jeep Grand Cherokee


Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias