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O Up! chegou com credenciais impressionantes ao mercado brasileiro. O carrinho foi anunciado como principal lançamento da Volkswagen neste século, atingiu cinco estrelas nos testes de colisão do Latin NCAP, obteve o menor custo de reparabilidade no ranking oficial do Cesvi – Centro de Experimentação Viária – e ainda tirou nota “A” em relação ao consumo no Programa de Etiquetagem do InMetro. Mas a missão era complicada: substituir o aposentado Gol G4 e fazer com que a marca alemã ultrapassasse a Fiat na liderança de mercado. Apesar do frescor de novidade e da massiva publicidade na tevê, o Up terminou março – primeiro mês cheio de vendas – em um longínquo 16º lugar no ranking do carros mais vendidos em território nacional. O modelo emplacou 3.517 unidades. Um início não muito animador, principalmente porque o marketing da marca projetava informalmente, em meio à euforia do lançamento, 120 mil vendas para o primeiro ano.

As vendas do Up ficaram na metade da média de cerca de 7 mil veículos que o extinto Gol G4 obteve nos últimos meses de comercialização – e bem atrás das 12.856 unidades do Fiat Palio, que ultrapassou o Volkswagen Gol – 12.529 emplacamentos – e se tornou líder entre os carros de passeio no mês de março. E ainda mais longe das 13.019 unidades que tornaram a picape Fiat Strada o automóvel mais vendido do país no mesmo período. Hatches compactos recentemente lançados, como Hyundai HB20 e Chevrolet Onix, obtiveram vendas iniciais bem mais consistentes que as do Up. Um fator que pode ter contribuído para essa timidez nas vendas iniciais é o preço das versões que vão além do “basicão” – caso da “top” White Up avaliada.

Vendido ainda apenas com quatro portas, o Up começa em R$ 28.900 do despojadíssimo Take Up e vai até R$ 39.390 na versões topo de linha cromáticas White Up, Red Up e Black Up. E é nessas configurações que o modelo traz o que de melhor tem a oferecer. Vêm com rodas de liga-leve de 15 polegadas, chave canivete,  retrovisores elétricos, bancos parcialmente em couro sintético, volante revestido em couro, ar-condicionado, sensor de estacionamento e rádio CD/MP3/Bluetooth/Aux. A etiqueta pode subir até os R$ 41.360 com o sistema “Maps & More”. O dispositivo opcional é uma tela de GPS sensível ao toque acoplada no painel , mas totalmente integrada ao modelo. Ela também funciona como extensão do rádio e do computador de bordo do veículo, além de fornecer conexão Bluetooth.

Visual se manteve do padrão Europeu

A produção nacional do Up estava no cronograma da Volkswagen e faz parte do aporte da marca alemã na unidade de Taubaté, São Paulo, de R$ 9,2 bilhões que serão investidos até 2016. O subcompacto, lançado na Europa em 2012, recebeu uma “abrasileirada” e sofreu pequenas alterações na sua concepção. Para encarar os desníveis das estradas tupiniquins, as suspensões dianteira e traseira tiveram uma calibração especial e foram elevadas em 20 mm em relação ao Up europeu – associado ao conjunto de roda e pneu de maior diâmetro. Houve também uma alteração na dimensão. O comprimento cresceu 6,5 centímetros – para um total de 3,60 metros –  e a altura é de 1,50 m – contra 1, 48 m do modelo do Velho Continente. Parte dessas mudanças refletiram na ampliação da área de porta-malas, que passou de 211 para 285 litros. Outra diferença  foi a substituição da tampa do porta-malas de vidro por uma convencional em aço. No Up “made in Brazil”, as janelas traseiras se abrem normalmente em vez de bascularem – solução comum em subcompactos europeus. Já o tanque de combustível por aqui tem 50 litros – 15 a mais que o europeu. Útil para não comprometer demais a autonomia de quem roda com etanol.

Uma das atrações do Up está sob o capô. Mas o motor três cilindros 1.0 litro – que estreou no Brasil no Fox Bluemotion – equipa toda linha o Up por aqui. Esse propulsor foi lançado em 2012 junto com o subcompacto Up na Europa e pertence à família EA211, a mesma do 1.4 TSI turbinado que chega nas versões Comfortline e Highline do Golf importado. São três cilindros, com quatro válvulas em cada, que rendem 76/82 cv a 6.250 rotações e 9,7/10,4 kgfm de torque a 3 mil rpm, quando abastecido com gasolina e etanol, respectivamente. No Up, o tricilíndrico é suficiente para levar o carro de zero a 100 km/h em 12,4 segundos e à velocidade máxima de 165 km/h – sempre com etanol. A única transmissão disponível, por enquanto, é a manual de cinco marchas. Mas, na tabela de consumo do InMetro, já há um teste do Up com câmbio automatizado – o que pode sugerir que uma versão I-Motion será lançada em breve. E, provavelmente, baseada nas configurações “top”.

Bancos com nome do up! em detalhe

Ponto a ponto

Desempenho – Os 82 cv produzidos pelo motor três cilindros sugerem mais do que o escrito na ficha técnica. A força do propulsor empurra o pequeno Up com decisão. Boa parte desse desempenho é  graças ao baixo peso – de apenas 910 kg. O torque máximo de 10,4 kgfm aparece a 3 mil rpm e confere boa agilidade ao subcompacto na cidade. A performance é bem acima de outros modelos dotados de motores 1.0 litro. Somente em ladeiras muito íngremes o Up pede uma redução de marcha para ganhar fôlego. O câmbio, inclusive, é bem escalonado e corretamente harmonizado com o três cilindros. E os engates rápidos e precisos da transmissão também merecem destaque. Nota 8.

Estabilidade – O Up é um carro que sempre está na mão do motorista. Não há muitos problemas do modelo seguir a trajetória apontada. Em velocidades relativamente altas, o carrinho não pede correções na direção e até encara uma sequência de curvas sinuosas sem fazer feio. Nada que tolere uma “tocada” mais agressiva, mas o comportamento é bem de acordo com a proposta. Nota 8.

Interatividade – O menor dos Volkswagen é um carro bem fácil de se interagir. São poucos comandos e os mais importantes estão às mãos do motorista. O volante tem boa pegada, peso correto e base reta. O carrinho ainda traz uma pitada de “marketing ecológico” com um computador de bordo que tem indicador de troca de marcha para um consumo de combustível mais eficiente. O console central abriga o rádio e os seletores giratórios do ar-condicionado, onde o manuseio é bem simples. Desfavoráveis são o pequenino conta-giros, o diminuto computador de bordo com letras e números difíceis de ver e a ausência de um volante multifuncional. Nota 8.

Consumo – Um dos grandes trunfos do Up. De acordo com dados do Programa de Etiquetagem do InMetro, a versão White Up registrou médias de 9,1 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol e 13,2 km/l no ciclo urbano e 14,3 km/l em trecho rodoviário quando abastecido com gasolina. Desempenho similar ao obtido pelo Fiat Palio Fire e menor que o aferido para o Renault Clio. Os números renderam nota “A” ao Up, tanto no segmento quanto no geral. Nota 9.

Conforto – O Up traz o caracterísitico acerto de suspensão da Volkswagen. Ele é firme, mas o ocupantes pouco sofrem com as típicas “crateras” das ruas brasileiras. A frente, goza-se de certo espaço. Atrás, a situação muda um pouco. Pessoas com até 1,90 metro têm um bom vão livre para a cabeça – o Up é um carro “altinho”. Já as pernas não desfrutam de tanta folga assim, mas duas pessoas viajam comodamente. A adição de uma terceira pessoa compromete o conforto dos demais – a não ser que sejam só crianças. O isolamento acústico é apenas regular – às vezes é necessário aumentar o volume do rádio para conseguir ouvir as músicas direito. Nota 7.

Interior do Volkswagen up!

Tecnologia – Quando foi lançado na Europa,  em 2012 , o Up inaugurou uma nova plataforma que atende pelo nome de PQ12 – também conhecida como New Small Family ou NFS – para carros urbanos ultra-compactos. O motor três cilindros de 1.0 litro também é novo e estreou por aqui no passado no Fox Bluemotion. A versão testada trazia o opcional sistema “Maps & More”, que parece um GPS comprado em qualquer loja automotiva. O dispositivo dá ao modelo sistema de navegação, conexão via Bluetooth e reproduz dados do computador de bordo, além de exibir o gráfico do sensor de ré. Porém, quem opta por essa tecnologia deixa de ter uma simples entrada USB – item de série em versões mais baratas. Os vidros traseiros elétricos são inexistentes – lá estão as anacrônicas manivelas. Nota 7.

Habitabilidade – Até que o espaço interno do White Up é bem aproveitado. Há alguns nichos para garrafas e papéis nos bolsões das portas. No parte central, há um porta-copo e um nicho para objetos de uso rápido como carteira, celular e chaves – que têm de ser armazenados empilhados. Já o porta-malas leva bons 285 litros e ainda traz uma inovação que a Volkswagen chama de “s.a.v.e”. Trata-se de um “tapume” removível que altera o tamanho do compartimento e permite acomodar bagagens de tamanhos variados. Nota 7.

Acabamento – Os plásticos são de qualidade razoável, mas os encaixes são bem executados. Nas versões cromáticas White, Red e Black Up, o modelo vem de série com o painel central pintado na cor da carroceria – semelhante ao que a Fiat faz com o 500. Opcionalmente, os bancos podem ser revestidos em couro sintético que, nas versão White Up, traz costuras brancas e nome do carro cravado no encosto. Nota 7.

Design – O Up escapa do visual homogêneo de toda linha da Volkswagen. O estilo “caixote” tem traços simples e modernos. A ausência de grade dianteira não causa estranheza. Já a traseira tem um para-choque bojudo e lanternas verticalizadas. Na versão White Up, a parte central das rodas de liga leve acompanham a cor externa, dando um visual harmônico para o carrinho. Uma questão que talvez esteja inibindo as vendas é que o estilo “fun car” do Up é um tanto “leve”, quase feminino. Não transmite a pecepção de robustez que exibia o velho e “tosco” Gol G4, que o Up substituiu. Nota 7.

Custo/benefício – A Volkswagen cobra caro pelo White Up. São iniciais R$ 39.390, mas pode chegar a R$ 41.360 com os opcionais sistema “Maps & More” e bancos revestidos em couro sintético. Não há nenhum concorrente como os Fiat Palio e Uno, Chevrolet Celta, JAC J2 e Peugeot 207 que chegue nesse preço. O valor se aproxima do Chevrolet Onix LS 1.0 equipado a altura com My Link – que vai até R$ 39.690. A “etiqueta cheia” do White Up bate na porte do estiloso Ford New Fiesta S – versão de entrada – que tem motor 1.5 litro, bons equipamentos, mais espaço e custa R$ 42.190. Nota 5.

Total – O Volkswagen White Up somou 73 pontos em 100 possíveis.

Volkswagen up! White up!

Impressões ao dirigir

Pequeno descolado

Ao olhar a primeira vez para o White Up, a impressão é que o carrinho da Volkswagen não “aguenta o tranco”. O visual traz uma identidade irreverente e jovial, porém ao mesmo tempo transmite certa fragilidade. O modelo parece também ser menor do que realmente é. Mas algumas dessas restrições iniciais vão caindo quando se põe o Up em movimento. O simpático carrinho mostra, de cara, a valentia do moderno motor três cilindros 1.0 litro. Ele movimenta o modelo sem titubear e raros são os momentos de “anemia”. Um deles é quando o ar-condicionado está ligado, o que deixa o propulsor um tanto “murcho” nas rotações iniciais. Porém, perto dos 3 mil giros, o Up mostra seu potencial e os enxutos 910 kg saem da inércia com desenvoltura. O comportamento dinâmico também agrada com respostas precisas da direção.

Já o habitáculo mostra qualidades e alguns defeitos do Up. A saída central do ar-condicionado – em cima do painel e atrás do sistema opcional “Maps & More” – gera estranheza e certa desconfiança quanto à eficiência. Mas bastam alguns minutos para o interior ser resfriado completamente. Já o isolamento acústico deixa a desejar e é possível “saber” tudo que se passa com o motor tricilíndrico desde as primeiras rotações. Pelo o menos o ronronar do propulsor agrada. Os bancos – revestidos opcionalmente de “couro sintético” – sustentam bem o corpo. O único incoveniente é o apoio de cabeça integrado ao banco – não é possível ajustar sua altura.

O Up revela ainda algumas contradições. Pode custar mais de R$ 40 mil, como na versão White Up avaliada, mas não oferece vidros elétricos traseiros sequer como opcionais. Outra incongruência é que, no caso de optar pelo “Maps & More”, que traz GPS, Bluetooth e ainda recursos que “ensinam” a forma mais econômica de dirigir – de forma bastante simples –, o Up simplesmente perde a entrada USB. O sistema é na verdade um GPS da Navigon, uma empresa alemã que fornece sistemas de navegação portáteis em todo o mundo. Ele é facilmente destacável – o que ajuda a desestimular os ladrões.

Detalhe do emblema up!

Ficha técnica

Volkswagen White Up

MotorEtanol e gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico
TransmissãoCâmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira
Potência máxima82 e 75 cv a 6.250 rpm com etanol e gasolina
Torque máximo10,4 e 9,7 kgfm a 3 mil rpm com etanol e gasolina
Aceleração de 0 a 100 km/h12,4 e 12,6 segundos com etanol e gasolina
Velocidade máxima165 e 163 km/h com etanol e gasolina
Diâmetro e curso74,5 mm X 76,4 mm
Taxa de compressão11,5:1
SuspensãoDianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção, com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos. Não oferece controle eletrônico de estabilidade
Pneus185/60 R15
CarroceriaHatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 3,60 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,50 m de altura e 2,42 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série
Peso910 kg em ordem de marcha
Capacidade do porta-malas285 litros
Tanque de combustível50 litros
ProduçãoTaubaté/SP
Lançamento mundial2011
Lançamento no Brasil2014
Itens de sérieairbags frontais, freios ABS, fixação Isofix para cadeirinhas infantis, lavador, limpador e desembaçador traseiro, ar-condicionado, direção assistida, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanterna de neblina, vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme, bancos parcialmente revestidos em couro sintético, rodas de liga-leve de 15 polegadas, chave canivete, divisória móvel no porta-malas, volante revestido em couro, rádio CD/MP3/Bluetooth/Aux
PreçoR$ 39.390
Opcionaisbancos revestidos totalmente em couro sintético e sistema “Maps & More” com navegação GPS
Preço completoR$ 41.360

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias