• Troller T4 - Nova geração - Foto 1
    Troller T4 - Nova geração - Foto 1
  • Troller T4 - Nova geração - Foto 2
    Troller T4 - Nova geração - Foto 2
  • Troller T4 - Nova geração - Foto 3
    Troller T4 - Nova geração - Foto 3
  • Troller T4 - Nova geração - Foto 4
    Troller T4 - Nova geração - Foto 4

A Ford decidiu reinventar a Troller. E isso inclui não só uma nova geração do produto único da marca, o jipe T4, como também a reforma da fábrica em Horizonte, no Ceará, que duplicou a capacidade de produção para cerca de 300 veículos mensais. Na verdade, uma coisa tem muito a ver com a outra. Atualmente, sem exposição ou maiores investimentos em marketing, o modelo emplaca em média 100 unidades/mês. E mesmo que a partir de agosto o novo T4 chegue ao mercado até 15% mais caro que o atual – deve custar algo em torno de R$ 110 mil, contra R$ 96 mil –, a Ford imagina que possa até dobrar as vendas.

Uma das razões para este “otimismo” é que não há no mercado brasileiro um rival com características semelhantes. Os mais próximos seriam os importados Land Rover Defender e Jeep Wrangler, que custam bem mais. Se fossem separados em um segmento, o Troller teria nada menos que 80% do nicho. Segundo o marketing da Ford, um dado dá alento em relação ao potencial do T4: o número de fãs no Facebook. Eles são em torno de 140 mil, ou 10 internautas para cada Troller vendido na história – foram pouco mais de 13 mil unidades desde que o T4 foi criado, em 1999. Para a marca, o novo T4 ganha em poder de atração para converter parte dessa admiração em vendas no mundo real.

Novo Troller T4

Exatamente para não espantar os “curtidores” do modelo, o design criou um tema de engrenagem estilizada, que é repetido em diversos itens. Mas buscou criar vínculos entre os T4 da nova e da antiga geração. Todos, basicamente, referências visuais, já que pouco sobrou do modelo anterior – 1.700 das 2 mil peças do utilitário são novas. Na dianteira, esta conexão é feita pelos faróis principais redondos e a grade com grandes aberturas, na cor cinza. Esta grade se une à parte central do para-choque para formar um enorme “T”. Atrás, as lanternas quadrangulares buscam conservar o estilo anterior. Os para-lamas também se mantiveram bastante proeminentes. Uma novidade interessante é que os para-choques ganharam módulos nas extremidades que podem ser retirados para encarar trilhas mais pesadas.

Mecanicamente, o novo T4 importa diversos elementos da picape Ford Ranger. A começar pelo motor, que é o mesmo 3.2 litros turbodiesel de cinco cilindros e 20 válvulas, que rende 200 cv de potência e 48 kgfm de torque. Em relação ao T4 anterior, que usava um propulsor Maxxion, este tem 32 cv e 9 kgfm a mais. O motor é gerenciado por uma transmissão de seis marchas. A tração 4X4 tem reduzida e é distribuída por dois diferenciais, sendo que o traseiro com escorregamento limitado.

Traseira do novo Troller T4

A aplicação de um trem-de-força tão poderoso em um veículo com pouco mais de 2.100 kg evidencia a preocupação da Ford em preservar as reconhecidas capacidades off-road do T4. O novo chassi em longarina, desenvolvido especialmente para o modelo, ficou mais robusto. O jipe manteve a configuração com duas portas, quatro lugares – na verdade, um 2+2 – e tampa traseira pivotada, mas o ângulo de saída passou de 36º para 50º e o entre-eixos passou de 2,41 para 2,59 metros. Perdeu 5º para inclinação lateral – agora é 40º –, mas foi de 75 para 80 cm a profundidade para travessia.

A construção da carroceria também foi aprimorada. Ela ainda é feita com uma massa, chamada de compósito, formada por fibra de vidro com aço, semelhante à usada no Chevrolet Corvette. Só que agora ela é moldada a quente em prensa – e não mais manualmente. Isso aumenta a produtividade e dá melhor padrão de acabamento. De fato, a Ford teve a intenção de tirar do Troller o ar de veículo adaptado, que o modelo anterior ostentava, com comandos e peças evidentemente aproveitadas de outros modelos da marca. Agora, consoles, painéis, instrumentos e todos os detalhes internos se harmonizam com a mesma lógica do design externo. Depois de oito anos de domínio sobre a marca cearense, a intenção da Ford com o T4 é trocar de vez a imagem de jipe improvisado pela de um respeitável off-road.

Nova geração do Troller T4

Primeiras impressões

Vinhedo/SP – A Ford diz que o Troller T4 não é para ser o segundo, mas sim o terceiro carro da família. Inclusive porque não é um jipinho de fino trato. Para começar, acessar os assentos da frente já exige esforço, enquanto os de trás quase requer contorcionismo. A suspensão aguenta o tranco, mas não filtra absolutamente nada. A Ford até aumentou a espessura da espuma dos bancos, mas não foi de grande ajuda. Achar uma posição confortável de dirigir é complicado, pois o volante só tem regulagem de altura, os ajustes dos bancos são esparsas. É o motorista que se adapta ao carro, e não o contrário. As marchas são duras e imprecisas. O comportamento dinâmico não inspira a menor confiança e parece que o T4 vai tombar na primeira curva. Enfim, a Ford fez tudo para agradar os consumidores potenciais de um carro como o T4, que costumam considerar refinamento um sinal de fraqueza.

Aliás, força é o que não falta ao novo T4. O motor de 200 cv e 48 kgfm de torque não demonstra o menor esforço para lidar com o jipão de 2.100 kg, seja morro acima ou pirambeira abaixo, quando o freio-motor dispensa até o uso do freio convencional. Os pneus 255/65 R 17 ultrapassam costelas, lombadas e erosões sem dificuldade. A carroceria que torce bastante e a suspensão de curso longo facilitam contato com o solo, mesmo em desníveis acentuados.

Interior do novo Troller T4

Apesar de ser um veículo absolutamente bruto, nesta nova geração do Troller houve até uma pequena condescendência por parte da Ford. O T4 anterior tinha roda livre manual, daquelas que obrigavam o motorista descer e travar o eixo dianteiro para utilizar a tração 4X4. Agora, o acoplamento é eletrico, mas o sistema ainda é totalmente mecânico. Nada de ABS “pinçando” a roda que gira em falso e nada de bloqueio manual de diferencial. Apenas o diferencial traseiro tem escorregamento limitado.

Deve-se reconhecer que há ainda outros confortos a bordo, como ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, som com Bluetooth etc. Mas é o que se considera, hoje em dia, como o mínimo indispensável. Nem mesmo airbag o T4 tem – para isso, se vale de uma norma específica para veículos off-road. Nesta geração, saiu de cena o clássico teto rígido, que podia ser desaparafusado e guardado. Agora o modelo vem com um duplo teto solar. O espaço interno, mesmo com o ganho de 18 cm no entre-eixos, melhorou pouco. Atrás, dois adultos vão com algum desconforto – embora existam cintos de segurança para três passageiros.

Detalhe da frente da nova geração do T4

Ficha Técnica

Troller T4

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 3.198 cm³, cinco cilindros em linha, turbo, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável de válvulas. Injeção direta e acelerador eletrônico. 
Transmissão: Câmbio manual com seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral por acionamento elétrico e reduzida. Não oferece controle de tração. 
Potência máxima: 200 cv a 3 mil rpm.
Torque máximo: 48 kgfm a entre 1.750 e 2.500 rpm.
Diâmetro e curso: 89,9 mm X 100,7 mm.
Taxa de compressão: 15,5:1.
Suspensão: Dianteira e traseira por eixo de torção com barra estabilizadora e barra Panhard. Molas helicoidais e amortecedores de dupla ação. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 255/65 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e maciços atrás, com ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário com carroceria em compósito sobre chassi de longarinas, com duas portas e cinco lugares. Com 4,10 metros de comprimento, 1,98 m de largura, 1,96 m de altura e 2,58 m de distância entre-eixos. Não dispõe de airbags.
Peso: 2.140 kg com 420 kg de carga útil e 750 kg rebocáveis.
Capacidade off-road: 51º de ângulo de entrada e de saída, 45º de inclinação de rampa com reduzida, 40º de inclinação lateral, 80 cm de capacidade de imersão e vão livre para o solo de 31,1 cm entre os eixos e de 20,8 com sob o diferencial traseiro.
Capacidade do porta-malas: 134 litros/558 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Tanque de combustível: 62 litros.
Produção: Horizonte, Ceará.
Lançamento: Agosto de 2014.
Itens de série: Ar-condicionado, trio elétrico, computador de bordo, ABS, roda de liga leve de 17 polegadas, direção hidráulica e rádio/CD com Bluetooth.
Preço estimado: R$ 110 mil.

Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias