• Mitsubishi Triton L200 - Foto 1
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  • Mitsubishi Triton L200 - Foto 3
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  • Mitsubishi Triton L200 - Foto 4
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  • Mitsubishi Triton L200 - Foto 5
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  • Mitsubishi Triton L200 - Foto 6
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  • Mitsubishi Triton L200 - Foto 7
    Mitsubishi Triton L200 - Foto 7

A trajetória da Mitsubishi no Brasil se confunde com a história da L200 por aqui. A picape média foi o primeiro modelo que a marca japonesa desembarcou no Brasil, em 1992. Em 1998, tornou-se o primeiro veículo fabricado na cidade goiana de Catalão pela MMC Automotores do Brasil, do empresário Eduardo Souza Ramos, que representa a Mitsubishi no país. Em 2004, a L200 foi a primeira picape com câmbio automático vendida no mercado nacional. Em 2008, a versão Triton da L200 começou a ser produzida em Goiás e, em 2012, seu visual se espalhou por toda a linha. Agora, na versão 2014, motor diesel e câmbio automático incorporaram aperfeiçoamentos. Em termos estéticos, a linha L200 Triton recebeu um sutil “facelift” – similar às discretas mas permanentes evoluções feitas na unidade industrial de Catalão. Tudo para a picape manter o status de “queridinha da Mitsubishi” no Brasil.

As alterações estéticas na linha 2014 da L200 Triton são difíceis de perceber. Grade, parachoques e faróis foram ligeiramente reestilizados. Os espelhos externos com carenagem cromada agora incorporam luzes de seta em leds. As rodas são novas. Por dentro da versão “top” HPE, os bancos em couro receberam uma nova espuma com dupla densidade. Segundo a MMC, a espuma é mais mole no centro do banco, para proporcionar conforto em viagens longas, e mais rígida nas laterais, para fixar melhor o corpo ao assento quando se dirige de um modo esportivo. O sistema multimídia Power Touch, da Clarion, ganhou uma versão mais moderna e incorpora GPS, rádio, CD, DVD e Bluetooth.  Ar-condicionado automático, direção hidráulica, piloto automático e comandos de áudio integrado ao volante completam o conjunto da versão topo de gama. 

No trem de força diesel, outras mudanças pequenas, mas bem-vindas. A L200 Triton HPE 2014 vem com o mesmo motor 3.2 L DID-H, 16 válvulas, DOHC com injeção eletrônica direta Common-Rail, corrente de comando, turbo intercooler frontal. Mas agora sua potência é de 180 cv a 3.500 rpm e torque de 38 kgf.m a 2.000 rpm – no modelo anterior, o torque era de 35 kgfm e a potência ficava em 170 cv. Assim, a relação peso/potência passou para 10,8 kg/cv. Já os motores flex continuam os mesmos: um 3.5 V6 com 205 cv e 33,5 kgfm e um 2.4 de quatro cilindros com 142 cv e 22 kgfm de torque. 

O novo câmbio automático – disponível para a versão HPE – agora tem cinco velocidades e modo esportivo, com possibilidade de acionamento manual das marchas na manopla. Ao lado dele, uma pequena alavanca permeie o acionamento dos modos 4X2, 4X4 ou reduzida – o que resulta em 15 combinações de marchas e trações. Segundo a marca, a opção de manter a alavanca em lugar de substituí-la por um comando eletrônico se deve à maior confiabilidade do sistema no fora de estrada – um foco da marca, que desfruta de grande prestígio em rallies nacionais e internacionais. Para os “lameiros” mais ortodoxos, que compõem parte expressiva dos compradores da L200, há também a opção de câmbio manual de cinco marchas. Segundo a Mitsubishi, o conjunto suspensivo foi aprimorado para proporcionar mais conforto no “off-road”. E o sistema de freios recebeu a com a tecnologia 4-ABS com EBD e BAS, que distribui eletronicamente a força de frenagem em cada roda.

Uma boa notícia é que os preços da L200 Triton 2014 pouco mudaram em relação ao modelo anterior. Há versão “pé de boi” GL é fornecida apenas sob encomenda e por venda direta a frotistas. A básica 2.4 Flex HLS começa em R$ 76.990. Acima dela estão as versões GLS e GLX, com o motor 3.2 diesel, que saem respectivamente por R$ 91.900 e R$ 99.900. A versão radical Savana diesel custa R$ 116.990 e no topo da linha estão as versões HPE. A com motor 3.5 V6 flex e câmbio automático custa R$ 106.990, e as diesel de 3.2 litros saem por R$ 116.990 com câmbio manual e R$ 126.990 com a transmissão automática. A MMC Automotores do Brasil espera que a linha 2014 proporcione uma elevação nas vendas na ordem de 10% – atualmente comercializa-se cerca de 2.000 picapes L200 Triton por mês.

Interior da L200

Primeiras impressões

Mogi Mirim/SP - A avaliação da versão “top” L200 Triton Diesel HPE automática foi realizada em um circuito de mais de 200 km entre a cidade paulista de Mogi Guaçu, onde fica a pista de testes da Mitsubishi – o autódromo Velo Citta, recentemente homologado pela Federação Internacional de Automobilismo – e a estância termal de Poços de Caldas, na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais. Só que o roteiro escolhido pela Mitsubishi para o passeio evitou a maioria das estradas asfaltadas da região e privilegiou as trilhas – inclusive a íngreme picada que leva ao Pico do Gavião, com 1.663 metros de altitude. Afinal, a marca tem grande tradição em competições “off-road” – é a maior vencedora do tradicional Rally dos Sertões e já conquistou várias premiações no badalado Rally Paris-Dakar – e queria mostrar as capacidades lameiras de seu produto. Mas a natureza ainda “conspirou a favor” do evento da Mitsubishi. Uma chuva torrencial caiu sobre a região e transformou pequenas poças em lamaçais bastante perigosos. O que aumentou bastante as oportunidades de avaliar a picape numa trilha radical e num cenário quase apocalíptico, fora da previsibilidade.

E, em meio a uma verdadeira tromba d'água, a L200 Triton HPE diesel deu conta do recado. Com o acréscimo de quase 10% na potência e no torque, novo trem de força move a picape da Mitsubishi com desembaraço. Quando acelera de forma destemida sobre a buraqueira e o lamaçal escorregadio, com um aguaceiro pesado caindo dos céus, a picape da Mitsubishi revela seu grande trunfo: a suspensão. O sistema SDS – Sport Dynamic Suspension – reduz o movimento da carroceria e deixa o veículo impressionantemente estável. Os amortecedores Full Displacement cumprem a tarefa de permitir uma resposta dinâmica rápida, pois o conjunto de rodas/pneus não tende a se projetar com velocidade dentro de buracos. O resultado é mais conforto a bordo e facilidade para vencer obstáculos severos, com uma celeridade que seria totalmente proibitiva em veículos convencionais.

Pronta pra aventura

O sistema o LSD Hybrid no diferencial traseiro ainda colabora com o equilíbrio do conjunto no “fora de estrada” ao transferir automaticamente a tração para a roda que necessita de mais força, o que aprimora a dirigibilidade. A L200 Triton tem capacidade de transpor cursos d'água de até 60 cm de altura – felizmente, mesmo com a chuvarada que caiu durante o teste, não foi necessário que tais limites fossem colocados à prova. Os córregos de lama que foi necessário ultrapassar eram relativamente rasos, facilmente transponíveis no modo 4X4 reduzido.

Depois de muita diversão nos charcos e buraqueiras, chega a hora de andar no asfalto, no modo 4X2 com tração traseira. Na L200, o modo 4X4 pode ser utilizado apenas no off-road, já que o modelo não conta com diferencial central, como o que equipa o utilitário esportivo derivado Pajero Dakar. O diferencial central permite que, no modo 4X4, ocorram diferentes rotações entre o diferencial dianteiro e o traseiro. A grande variação de peso entre uma caçamba vazia e outra totalmente carregada dificulta a utilização desse recurso nas picapes – nos SUVs, a distribuição de pesos entre traseira e dianteira é mais equilibrada. No modo 4X2, mesmo no asfalto molhado, a picape ofereceu boas retomadas e permitiu ultrapassagens seguras.

A primeira e a segunda marchas do câmbio automático são reduzidas, para privilegiar a agilidade nas arrancadas. A curva de torque está mais plana e a quinta marcha foi alongada, para contribuir com a economia. A nova relação do diferencial mais alongada, segundo a Mitsubishi, deixa o conjunto silencioso e econômico. O consumo, segundo o fabricante, é de 12,5 km/l em ritmo normal de estrada e em velocidades próximas aos limites de cada uma. Algo que, combinado ao tanque de 90 litros – 20% maior que o modelo anterior –, proporciona uma impressionante autonomia de mais de 1.100 km. Tal autonomia foi certificada pela auditoria independente KPMG em uma viagem entre São Paulo e Brasília realizada pelo piloto Ingo Hoffmann, que atualmente coordena a escola de pilotagem da Mitsubishi. Quanto ao isolamento acústico, pode até ter evoluído em relação ao modelo anterior. Mas o barulho do motor invade o motor sem maiores cerimônias, principalmente em giros altos, nas retomadas de velocidade – algo que não chega a desqualificar uma picape diesel. 

Apesar da bela impressão causada pelo comportamento dinâmico da L200 Triton em meio à borrasca e com lama por todos os lados, fica difícil é entender porque um veículo que custa R$ 126.990 não traz de série um prosáico sensor de estacionamento para auxiliar nas manobras. Por esse valor, mereceria inclusive uma câmera de ré incorporada ao sistema multimídia – ambos os itens são de séria na Pajero Dakar. Mas a Mitsubishi optou por oferecer ambos os equipamentos como opcionais na picape, algo que talvez não caia bem em um modelo que é oferecido como “top”.

Mitsubishi L200 - Visão da traseira

Ficha Técnica (dados de fábrica)

Mitsubishi L200 Triton 2014

Motor Diesel: Dianteiro, longitudinal, 3.200 cm³, turbo e intercooler, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Injeção direta Common-rail e acelerador eletrônico.
Motor V6 Flex: A etanol e gasolina, longitudinal, 3.497 cm³, seis cilindros em V, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Motor 2.4 Flex: A etanol e gasolina, longitudinal, 2.351 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Na HPE, há opção de câmbio automático de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração integral Easy Select 4WD, com opções 4X2, 4X4 e 4X4 com reduzida. Versão HLS apenas com tração traseira. Não oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima

Motor diesel: 180 cv a 3.500 mil rpm.
Motor V6 Flex: 200 cv com gasolina e 205 cv com etanol a 5 mil rpm.
Motor 2.4 Flex: 138 cv com gasolina e 142 cv com etanol a 5 mil rpm.
Aceleração 0-100 km/h: Não divulgado.
Velocidade máxima: Não divulgado.

Torque máximo

Motor diesel: 38,0 kgfm a 2 mil rpm.
Motor V6 Flex: 33,5 kgfm com etanol e 31,5 kgfm com gasolina a 3.500 rpm.
Motor 2.4 Flex: 21 kgfm com gasolina e 22 kgfm com etanol a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso

Motor Diesel: 98,5 mm x 105,0 mm. Taxa de compressão: 17,0:1.
Motor V6 Flex: 93,0 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 10,4:1.
Motor 2.4 Flex: 86,5 mm x 100,0 mm. Taxa de compressão: 10,1:1.

Suspensão, Pneus e Freios

Suspensão: Dianteira independente do tipo duplo A, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido e rodas semi-independentes, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 265/70 R16. Versão Savana: 255/70 R16. Versão GLX: 225/75 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD e BAS de série.

Carroceria e Carga

Carroceria: Picape sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,11 metros de comprimento (5,29 m com caçamba longa nas versões GLX e GLS), 1,80 m de largura, 1,78 m de altura e 3,00 m de distância entre-eixos.
Ângulo de entrada: 39°.
Ângulo de saída: 29°.
Altura livre do solo: 22 cm.
Peso: 1.945 kg em ordem de marcha.
Capacidade da caçamba: 788 litros.
Capacidade de carga: 1.010 kg.
Tanque de combustível: 90 litros.
Produção: Catalão, Brasil.
Lançamento no Brasil: 2008.
Reestilização: 2013.

Itens de série

Versão GLX: Ar-condicionado, direção hidráulica, volante com ajuste de altura, rádio CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth, airbags frontais e freios ABS.
Versões HLS: adiciona console central com porta-CDs, vidros, travas e retrovisores elétricos, abertura das portas por controle remoto, alças de teto, pneus 265/70 R16.
Versão GLS: adiciona grade dianteira cromada, para-barros dianteiros e traseiros e diferencial traseiro de deslizamento limitado.
Versão HPE: adiciona maçanetas cromadas, ar-condicionado automático, banco traseiro com encosto rebatível, faróis de neblina, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth/Aux com tela sensível ao toque de 7 polegadas e comandos no volante, bancos em couro, controlador de velocidade de cruzeiro e protetor de caçamba.
Versão Savana: incorpora Snorkel, bancos com capas de Neoprene, parachoque dianteiro de impulsão, engate traseiro, pranchas para desencalhe, bagageiro no teto.

Preços

HLS 2.4 Flex MT: R$ 76.990.
GLX Diesel MT: R$ 91.990.
GLS Diesel MT: R$ 99.990.
HPE V6 Flex AT: R$ 106.990.
Savana Diesel MT: R$ 116.990.
HPE Diesel MT: R$ 116.990
HPE Diesel AT: R$ 126.990.

Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira (Auto Press)
Fotos: do exterior da L200 Triton HPE diesel: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias - Foto interna e foto externa frontal em movimento: divulgação